Inglaterra adia adesão ao euro novamente

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Publicado quinta-feira, 15 de maio de 2003 as 08:59, por: cdb

O ministro da Fazenda da Grã-Bretanha, Gordon Brown, concluiu que o país ainda não está pronto para adotar o euro, a moeda da União Européia.

O primeiro-ministro Tony Blair aceitou a visão do ministro, mas os detalhes sobre um anúncio a respeito – esperados para a semana que vem – ainda estão sendo preparados.

A explicação de Brown é que o país não passou nos cinco testes econômicos para adotar a moeda.

Uma outra decisão importante – o momento para fazer uma nova avaliação – ainda não foi tomada.

Ao ser questionado pela BBC, o gabinete do primeiro-ministro foi rápido ao afirmar que nenhuma decisão foi tomada.

– O governo não tem nada a dizer sobre esse assunto até que a avaliação econômica seja publicada – disse um porta-voz.

Mas o Partido Conservador, que faz oposição a Tony Blair, apontou a tendência de uma “decisão confusa com base em uma luta personalizada de facções dentro do Partido Trabalhista (de Blair)”.

– Já é hora de os trabalhistas colocarem o interesse econômico nacional acima de suas facções internas – disse o conservador Michael Howard.

Tony Blair tem tido dias de intensa discussão com Gordon Brown e teria concordado que ainda não é hora de aderir à moeda européia.

Já era bastante conhecida a relutância do ministro em recomendar a adoção do euro, mas é o fato de o primeiro-ministro aparentemente aceitar a avaliação que parece novidade.

De acordo com o repórter político da BBC Andrew Marr, “o primeiro-ministro aceitou que a economia deve ter uma importância fundamental e que os dados gerais permanecem negativos”.

Ele acrescentou que adotar o euro seria “a mais importante decisão do mandato de Tony Blair”.

O primeiro-ministro tem sempre sido um defensor entusiasmado da entrada da Grã-Bretanha na região do euro e há discussões se ele deveria deixar a porta aberta para uma nova avaliação antes da próxima eleição.

Brown seria partidário do fim das discussões a respeito do euro.

Uma das diferenças econômicas entre a Grã-Bretanha e a chamada zona do euro são os valores do mercado imobiliário.

Se fosse feita uma recomendação para adoção do euro, o próximo passo seria um referendo.

O assunto domina a política interna britânica há anos e os dois maiores partidos estão divididos a respeito.

Em contraste com o entusiasmo de Tony Blair, está a oposição do maior líder conservador, Iain Duncan Smith, que o desafiou a fazer o plebiscito.

O governo deve dar a palavra final sobre a realização da consulta até o dia 7 de junho.

O euro é usado desde 2002 por 12 dos 15 países que compõem a União Européia.

Grã-Bretanha, Suécia e Dinamarca são os únicos países que não adotaram a moeda.

O principal teste usado pelo Tesouro Britânico foi avaliar se a economia do país tem se convertido suficientemente com a zona do euro a ponto de manter uma estabilidade.

Outra prova foi observar se há flexibilidade o bastante na economia britânica para lidar com a mudança econômica.

Os outros três testes aplicados avaliaram o impacto da adoção do euro nos empregos, investimentos estrangeiros e nos serviços financeiros.