Inflação volta a subir em novembro

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Publicado quinta-feira, 21 de novembro de 2002 as 21:16, por: cdb

A segunda prévia do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) em novembro foi de 3,86%, maior taxa desde agosto de 1994, quando fechou em 7,12%. A taxa aumentou 1,55 ponto porcentual sobre a segunda prévia de outubro. Houve um ligeiro crescimento da inflação no atacado, mas a maior aceleração comparada ao mês passado ocorreu nos preços ao consumidor, por conta do avanço das tarifas administradas e do repasse do aumento do dólar aos preços livres.

De outubro para novembro, a segunda prévia passou de 4,04% para 4,97% no Índice de Preços ao Atacado (IPA) e de 0,66% para 2,07% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC). A inflação do índice geral acumula agora 19,26% no ano, até a prévia, e 19,52% nos últimos doze meses. Já o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) foi de 1,36% na segunda prévia de novembro, feita com base no período de 21 de outubro a 10 de novembro.

Uma análise feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que, no grupo das quinze maiores contribuições de alta no varejo, o impacto das tarifas superou a inflação dos preços livres. Enquanto a influência dos preços administrados foi de 0,65% nestes produtos, a do conjunto de preços livres analisados ficou em 0,4%. “A evolução da inflação no varejo tem muito a ver com repasse de custos, mas foi incrementada pelas tarifas”, disse o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros.

O economista avaliou que ainda há espaço para o repasse de preços no varejo, principalmente por causa do aumento de 10,28% captado no grupo alimentação, no índice do atacado. Houve crescimento significativo de outubro para novembro nos seis conjuntos de produtos no varejo – alimentação, habitação, vestuário, saúde e cuidados pessoais, educação, leitura e recreação, e transportes. No varejo, a inflação captada no grupo alimentação praticamente triplicou de 1,09% para 3,70% de um mês para o outro.

Quadros também destacou que foram constatadas mudanças na aceleração de preços no atacado. Enquanto ainda persiste uma pressão de aumentos nas cadeia intermediária e em produtos finais do atacado, houve um recuo do aumento de preços nas chamadas matérias-primas brutas pesquisadas no IPA. Em outubro, a variação de preços nesta categoria foi de 6,79%, mas de 4,68% em novembro. Por conta disso, o economista acredita que os constantes aumentos de preços no atacado podem ser revertidos.