Inflação oficial desacelera em ritmo além do esperado por analistas

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Publicado quinta-feira, 24 de setembro de 2009 as 13:39, por: cdb

O queda nos custos da educação e nas tarifas, além da redução nos preços de eletrodomésticos, ajudou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) a desacelerar em setembro, apesar de em ritmo um pouco inferior ao esperado. O indicador teve alta de 0,19% neste mês, ante avanço de 0,23% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

A mediana das previsões de 21 economistas consultados pela Reuters apontava inflação de 0,16%. A faixa foi de 0,15 a 0,19%. Segundo cálculos da LCA Consultores, a média dos três núcleos do índice – por exclusão e por médias aparadas com e sem suavização – desacelerou para alta de 0,26% em setembro ante 0,34% em agosto.

O destaque foi o núcleo por exclusão, que avançou 0,24% ante 0,42% no mês passado. O IBGE acrescentou que, entre os grupos que se destacaram na desaceleração, Artigos de residência passou de alta de 0,53% em agosto para queda de 0,22% em julho, refletindo menores preços de eletrodomésticos e de artigos de TV, som e informática.

O grupo Educação teve alta de 0,06% neste mês, ante 0,90% no anterior. Os preços de Habitação também reduziram a alta, para 0,44% em setembro ante 0,85% em agosto, quando havia sido pressionado por reajustes de algumas tarifas, como a de energia elétrica em São Paulo.

Os custos de Saúde e cuidados pessoais subiram 0,26%, ante elevação anterior de 0,34%.

Alimentos

Na outra ponta, os preços de Alimentação e bebidas passaram de queda de 0,28% em agosto para alta de 0,13% em setembro. Os de Vestuário também reverteram a queda anterior de 0,25% e avançaram 0,31%. Entre os alimentos, as principais altas vieram de tomate – item que teve a maior contribuição individual do mês, de 0,06 ponto percentual –, frutas, açúcar refinado, cebola e açúcar cristal.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,15%. Em 12 meses, a taxa é de 4,27% – abaixo do centro da meta, de 4,5%. O IPCA-15 é tido como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do país. A metodologia de cálculo é a mesma, apurando a variação de preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país. A diferença está no período de coleta, já que o IPCA mede o mês calendário.

Em São Paulo

A inflação ao consumidor em São Paulo desacelerou mais que o esperado, devido à continuidade do arrefecimento do reajuste de energia elétrica e a uma queda de preços de alimentos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,28% na terceira quadrissemana de setembro, ante alta de 0,42% na segunda, informou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta quinta-feira.

Analistas consultados pela agência inglesa de notícias econômicas Thomson/Reuters previam uma taxa de 0,37%. Os preços do grupo Habitação subiram 0,60% nesta leitura, abaixo da elevação de 0,87% na anterior. Esse grupo foi fortemente impactado em agosto pelo reajuste da energia elétrica, mas a partir do começo de setembro já começou a mostrar desaceleração, e no fechamento deste mês a alta já deve praticamente se esgotar.

Os custos de Alimentação tiveram queda de 0,09% na terceira quadrissemana, após avançarem 0,33% na segunda. Já os preços de Saúde aceleraram a alta, para 0,48%, contra 0,16% antes.

O IPC da terceira quadrissemana mediu os preços de 24 de agosto a 22 de setembro. O IPC mede a variação dos preços no município de São Paulo de famílias com renda até 20 salários mínimos.