Inflação no Brasil segue acima do esperado, sem expectativa de trégua

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Publicado quarta-feira, 10 de agosto de 2016 as 13:44, por: cdb

Em 12 meses até o mês passado, a alta acumulada da inflação foi de 8,74%, abaixo dos 8,84% no período até junho

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

A inflação oficial no Brasil acelerou em julho, acima do esperado puxada pela alta elevada nos preços dos alimentos, mantendo pouco espaço para o Banco Central reduzir os juros no curto prazo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,52% em julho, depois de ter avançado 0,35% no mês anterior, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com alta dos preços, governo zerou alíquota para importação de feijão
Com alta dos preços, governo zerou alíquota para importação de feijão

Em 12 meses até o mês passado, a alta acumulada foi de 8,74%, abaixo dos 8,84% no período até junho. As expectativas em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters com economistas eram de que o IPCA mostrasse alta mensal de 0,45% e de 8,66% em 12 meses. Ainda refletindo significativas altas nos preços do leite e do feijão, o grupo Alimentação e Bebidas subiu 1,32% no mês passado, a mais elevada variação para julho desde 2000 (1,78%), após ter subido 0,71% em junho.

Com isso, o grupo foi responsável sozinho por 0,34 ponto percentual para do IPCA todo em julho, quando os preços do leite subiram 17,58%. Já o preço do feijão-carioca subiu 32,42% no período. Na ponta oposta, apenas os grupos Vestuário e Habitação mostraram queda nos preços em julho, de 0,38 e 0,29%, respectivamente.

O Banco Central conduzido por Ilan Goldfajn vem reforçando seu compromisso em levar a inflação ao centro da meta em 2017 e, consequentemente, afirmando que não há espaço para corte da Selic –em 14,25% há mais de um ano– no curto prazo. Conforme o BC segue reforçando sua postura dura no combate à inflação, as projeções do mercado para a alta do IPCA no próximo ano vêm recuando e estão agora em 5,14%, segundo a mais recente pesquisa Focus do BC, que ouve semanalmente uma centena de economistas.

Preço do feijão

Vilão da inflação de junho, o feijão-carioca também continuou pressionando o IPCA em julho, fixando-se na segunda colocação entre os alimentos ao subir 32,42%. A alta exerceu um impacto de 0,13 ponto percentual na inflação do mês. Em Curitiba e São Paulo, o preço do quilo subiu 45,20% e 43,98%, respectivamente. O feijão-preto também subiu, passando a custar, em média, 41,59% a mais, enquanto o mulatinho ficou 18,89% mais caro e o fradinho, 14,72%.

Além dos expressivos aumentos dos diversos tipos de feijão, mais uma vez o arroz também se destacou, com preços elevados em 4,68% na média, atingindo 8,27% em Goiânia, 7,49% em Fortaleza e 6,84% em Belém. Com isto, o feijão com arroz, prato típico da mesa do brasileiro, passou a custar bem mais. Assim como os alimentos, que passaram de 0,71% em junho para 1,32% em julho, outros três grupos mostraram aceleração na taxa de crescimento de um mês para o outro: Despesas Pessoais (de 0,35% para 0,7%), Artigos de Residência (de 0,26% para 0,53%) e Transportes (de -0,53% para 0,4%).

Todos os demais grupos de produtos e serviços pesquisados fecharam julho com queda de preços em relação a junho: o grupo Saúde e Cuidados Pessoais caiu de 0,83% para 0,61%; Educação (de 0,11% para 0,04%) e Comunicação (de 0,04% para 0,02%). Já Habitação (de 0,63% para -0,29%) e Vestuário (de 0,32% para -0,38%) fecharam junho com desaceleração em relação a junho.

Inflação por regiões

Goiânia foi a cidade que registrou a maior alta do IPCA, em junho, entre as 13 regiões pesquisadas pelo IBGE. Em julho, a cidade registrou variação de 0,51 ponto percentual, praticamente o dobro da inflação para a totalidade do Brasil.

O município, no entanto, não ficou isolado: outras dez regiões metropolitanas e municípios fecharam o mês com resultado acima da média nacional de 0,52%: Salvador, com alta de 0,93%; Recife (0,92%); Campo Grande (0,79%); Belém (0,76%); Belo Horizonte (0,72%); Fortaleza e Porto Alegre (ambas com 0,66%); Rio de Janeiro (0,6%); e Vitória (0,56).

Inflação oficial do país – e utilizada pelo Banco central para balizar o plano de metas inflacionárias – o IPCA diz respeito à variação
de preços juntos às famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos e abrange dez regiões metropolitanas, além de Goiânia, Campo Grande e Brasília.

Índice dos aluguéis

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), geralmente aplicado aos contratos de reajuste nos preços dos aluguéis, não registrou variação na primeira prévia de agosto, depois de subir 0,55% no mesmo período de apuração do mês anterior, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

O IGP-M também é utilizado como referência para a correção de valores dos contratos de energia elétrica.