Inflação é ameaça e não pode virar febre crônica, diz Meirelles

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Publicado segunda-feira, 19 de maio de 2003 as 15:50, por: cdb

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deu nesta segunda-feira novos sinais que os juros não devem baixar na próxima quarta-feira, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia a nova taxa de juros do país, atualmente em 26,5%.

Meirelles, no entanto, disse que suas declarações desta segunda-feira não poderiam ser levadas em consideração para as decisões que serão tomadas pelo Banco Central até quarta-feira.

O presidente do Banco Central disse que a inflação é uma ameaça e a comparou a uma febre, que precisa ser tratada e que não pode se tornar um mau crônico.

– Eu gosto de dizer, às vezes, que a inflação é como uma febre. Se temos febre, temos que tratar para acabá-la. Não podemos partir do pressuposto que vamos conviver de uma forma crônica com a febre -, disse ele.

Segundo Meirelles, não há uma dicotomia entre inflação e crescimento. Para ele, a inflação controlada é condição para o crescimento sustentável.

– A inflação é um problema, é uma ameaça. E todos os países que cresceram tiveram baixa inflação como condição prévia. A inflação não é uma amiga -, afirmou.

Questionado se estava se sentindo pressionado para baixar os juros, Meirelles respondeu às críticas dizendo que “o debate é saudável”.

Ele também afirmou que o que vai dar base para o crescimento do país é a redução do risco Brasil. Segundo ele, há dados sólidos para que o risco Brasil caia, diminuindo assim o custo interno do crescimento.

Meirelles citou como fatores da queda de risco, os superávits primários para os próximos quatro anos, as reformas de Previdência e tributária, a redução da dívida em relação ao PIB, e a maior credibilidade alcançada pelo governo Lula.

Meirelles participou nesta segunda-feira de uma palestra na Câmara Americana de Comércio no Rio de Janeiro.