Infecção pelo vírus HIV contamina 300 pessoas na China

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Publicado segunda-feira, 1 de dezembro de 2003 as 03:38, por: cdb

Pelo menos 300 pessoas foram infectadas pelo vírus do HIV na província chinesa de Jilin (norte), após venderem seu sangue em locais sem as condições mínimas de segurança, denunciaram, nesta segunda-feira, fontes humanitárias, coincidindo com a celebração do Dia Mundial da Aids.

De acordo com o Centro para Direitos Humanos e Democracia, já morreram 62 pessoas de Aids, no povoado de Soudeng. Na maioria dos casos, o HIV está dizimando membros de uma mesma família.

Em Erdaogou, começou-se a registrar mortes ‘inexplicáveis’ a partir de 2000, mas não se confirmou que se tratavam de casos de Aids até junho deste ano, disse um morador.

Funcionários estão realizando exames médicos para descobrir quantas pessoas foram contaminadas após vender seu sangue e pelas que já estão doentes, acrescentou a fonte.

Em 1985, coincidindo com o primeiro caso de Aids registrado no país, o Governo local abriu na região um centro de coleta de sangue, que fechou nove anos depois.

Na China, que conta com 840.000 contaminados de HIV de acordo com cifras oficiais, este vírus se expande principalmente por meio das transfusões de sangue que os hospitais compram em centros externos, disseram fontes independentes.

No último domingo, por outro lado, foi inaugurado um centro para o tratamento de pacientes da Aids em Pequim, no qual trabalharão universitários voluntários ‘para fazê-los entender que não é nenhuma vergonha ter esta doença’.

O ato coincidiu com a celebração na capital chinesa de um fórum dedicado às crianças afetadas por esta doença. Há pelo menos 50.000 órfãos de pelo menos um progenitor morto de Aids.

– Em 2010, esta cifra pode alcançar um mínimo de 150.000 crianças e um máximo de 250.000, no pior dos casos – alertou o chefe do escritório do Unicef na China, Koen Vanormelingen.

O Governo chinês está realizando uma campanha no Dia Mundial da Aids para frear o avanço desta doença, que pode afetar 10 milhões de pessoas em 2010 se não forem tomadas medidas urgentes, advertiu a ONU.