Indústria de SP pode demitir em grande escala no mês de dezembro

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Publicado quarta-feira, 12 de dezembro de 2001 as 20:53, por: cdb

A indústria de transformação paulista poderá ter em dezembro o fechamento de aproximadamente 9 mil postos de trabalho, segundo afirmou hoje a diretora de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Messer. “No ano passado, tivemos a recuperação de 27.416 empregos. Neste ano devemos ter uma perda de aproximadamente 35 mil postos”, afirmou.

De janeiro a novembro, a indústria paulista fechou um total de 26.707 vagas. Segundo Clarice, dezembro é sempre um mês de redução no nível de emprego porque as encomendas para o fim de ano já foram entregues. Em novembro, a indústria demitiu 6.872 trabalhadores a mais dos que os que foram contratados, o que significou um aumento de 0,43% no desemprego ante outubro.

Dos 47 sindicatos patronais consultados pela Fiesp para a elaboração do Índice do Nível de Emprego Industrial de novembro, 30 tiveram desempenho negativo, ou seja, mais demitiram do que contrataram. Entre os que mais se destacaram estão o de materiais e equipamentos ferroviários, com queda de 3,21%; aparelhos elétricos, eletrônicos e similares, com queda de 1,79%, e o de componentes para veículos automotivos, com queda de 1,12%.

De acordo com Clarice, estes três representam 22% dos empregados na indústria paulista, que hoje são cerca de 1,6 milhão. A diretora de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp destacou também o desempenho do Sindicato de Materiais Plásticos, que teve uma recuperação de 0,65% em novembro em relação a outubro e o de máquinas, que recuperou 0,61%. “Estes dois setores vêm se destacando pelo desempenho positivo dentro do ano. O de máquinas se recuperou em 4,45% e o de material plástico 2,94%”, disse.

O nível de emprego industrial em São Paulo caiu em novembro, pelo sexto mês consecutivo, devido à expressiva queda na demanda, segundo explicou a diretora de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp. “A indústria foi pega de surpresa em maio, quando começou esta forte queda de demanda, o que está fazendo com que a atividade econômica se mantenha fraca.

E nada hoje faz prever que no mês de dezembro haverá uma reversão deste quadro”, disse. De acordo com ela, em novembro a atividade econômica já foi menor do que em outubro e setembro, meses que já foram relativamente bons por causa do atraso nas encomendas de fim de ano, feitas tradicionalmente, até agosto.

Clarice afirmou ainda que a indústria de São Paulo poderá ter uma recuperação no nível de emprego no próximo ano. “Estamos percebendo a possibilidade de as empresas entrarem em 2002 com os ajustes já feitos, principalmente os de mão-de-obra. Com os ajustes prontos, há uma possibilidade maior de que a situação se reverta no ano que vem de uma maneira gradual”, afirmou.

De acordo com ela, os custos da indústria cresceram ao longo de 2001 por conta, principalmente, da desvalorização do real. “Não temos certeza de que esta melhora vai acontecer. Se ocorrer, a sustentabilidade dela dependerá muito de medidas e políticas macroeconômicas do governo, seja de corte de juros ou redução das restrições ao crédito, por exemplo”, explicou.

O recuo da taxa de câmbio nas últimas semanas, para algo em torno de R$ 2,40 significa uma expressiva redução de custos para as empresas e, por isso, tem sido comemorado pelo setor industrial, segundo explicou hoje Clarice. “A apreciação do real alivia a reposição de insumos importados.

A recomposição dos estoques em janeiro e fevereiro já poderá ser feita com custos mais baixos”, explicou Clarice. De acordo com ela, no início do ano que vem poderá ter um movimento expressivo de reposição de estoques porque se as encomendas de final de ano foram feitas em setembro e outubro, quer dizer que houve venda”, disse.