Indústria brasileira confirma tendência de alta perto de novo recorde

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Publicado quinta-feira, 1 de abril de 2010 as 12:54, por: cdb

A produção da indústria brasileira cresceu 1,5% fevereiro ante janeiro, descontadas as influências sazonais, impulsionada pelo mercado interno, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Foi o segundo mês consecutivo de alta, após registrar contração em dezembro e novembro nessa base de comparação. Com esse resultado, o IBGE nota que o nível da atividade situa-se apenas 3,2% abaixo do recorde observado em dezembro de 2008, após essa distância ter alcançado 20,6% no auge da crise, em dezembro de 2008.

– O setor industrial, além de superar no primeiro bimestre as perdas observadas em novembro e dezembro do ano passado, está cada vez mais perto do recorde de produção. Hoje estamos em um nível equivalente a maio de 2008. Os efeitos da crise estão sendo superados – disse André Macedo, economista do IBGE.

A mediana das previsões de 18 instituições financeiras apontavam crescimento de 0,9% em fevereiro ante janeiro, com as estimativas oscilando de 0,2 a 2,0%. Em relação a fevereiro de 2009, a atividade expandiu-se 18,4%, a maior taxa nessa base para os meses de fevereiro da série histórica da pesquisa, iniciada em 1991. No ano, a produção industrial acumula expansão de 17,2% frente ao mesmo período do ano passado, com o acumulado em 12 meses ainda registrando contração, de 2,6%.

Boas perspectivas

O IBGE revisou os dados de janeiro, com o crescimento ante fevereiro passando a 1,2%, ante 1,1% divulgado anteriormente; e com a expansão ante janeiro de 2009 passando de 16,0% para 16,1%.

– A indústria reage de forma vigorosa à retomada econômica, respondendo de forma rápida ao crescimento da demanda. O bimestre começa forte – destacou Inês Filipa, economista-chefe da corretora Icap, no Rio de Janeiro, em conversa com jornalistas.

Na visão de Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets, os dados endossam a tendência benigna para o setor no ano.

– A média móvel trimestral ampliou o ritmo de expansão… confirmando o momento positivo do setor – afirmou.

De acordo com o IBGE, a média móvel trimestral cresceu 0,8%, após ter ficado praticamente estável em janeiro, com alta de 0,1%. Macedo afirmou que a perspectiva para a indústria nos próximos meses é muito favorável, com a expansão da economia, de investimento e de vendas.

– Os indicadores antecedentes são positivos em função do ritmo da atividade e da base mais fraca. As próprias exportações, em especial de intermediários, apontam para um cenário positivo – avaliou.

No mercado de DI, mais sensível a dados de atividade, as taxas futuras de juros reagiram com relativa estabilidade, uma vez que, segundo profissionais da área, um desempenho forte da indústria fora antecipado no final da sessão da véspera. O contrato de DI para janeiro de 2011, mais líquido, projetava 10,39% no meio da manhã, após marcar 10,40% no ajuste da quarta-feira.

Expansão da demanda

O resultado de fevereiro ante janeiro foi guiado pela expansão de 2,4% na produção de bens de consumo semiduráveis e não duráveis – o maior crescimento entre as categorias de uso e a terceira alta seguida. Macedo lembrou que o segmento de bens não duráveis é muito vinculado à demanda interna e destacou que ele já se encontra no nível recorde de produção, 1,6% acima do patamar observado em setembro de 2008.

– Isso acompanha os avanços obtidos em massa salarial, renda e emprego – acrescentou.

Houve avanço de 1,7% na categoria de bens de capital, enquanto o setor de bens de consumo duráveis verificou expansão de 0,7%. A exceção foi bens intermediários, que contraiu 0,5%, interrompendo 13 meses de alta. Ainda assim, o economista do IBGE citou que os bens intermediários, setor mais pesado da indústria nacional, estão 1,3% abaixo do pico industrial. Dos 27 ramos pesquisados, 15 cresceram frente a janeiro, com destaque para a indústria farmacêutica (15,9%), edição e impressão (7%) e máquinas para escritório e equipamentos de informática (15%).

De acordo com o IBGE, o índice de difusão, que mede quantos dos 755 subsetores da indústria estão ampliando a produção, bateu o recorde da pesquisa ao alcançar 72%.

– Isso tudo mostra que temos um perfil de crescimento espalhado e generalizado – afirmou Macedo.