Indonésia prende suspeito de atentado a embaixada

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 17 de setembro de 2004 as 09:41, por: cdb

A polícia da Indonésia deteve nesta sexta-feira um homem acusado de ter ajudado na preparação do atentado com carro-bomba ocorrido na semana passada, do lado de fora da Embaixada da Austrália. Essa é a primeira prisão relacionada com o caso.

A notícia é divulgada num momento em que o governo diz estar elaborando leis antiterror mais duras a fim de dar à polícia mais poderes para deter suspeitos, além de ampliar o rol de atividades sujeitas a essas novas regulamentações.

O chefe da polícia do país, general Da’i Bachtiar, afirmou que o homem detido sabia quando os explosivos usados no atentado de 9 de setembro tinham sido transportados e para onde haviam sido levados.

Com base no interrogatório desse homem, cujo nome não foi divulgado, Bachtiar afirmou que pode ainda haver nas mãos do grupo de terroristas material explosivo suficiente para fabricar mais duas ou três bombas.

A polícia disse que o principal suspeito de ter realizado o atentado, no qual foram mortas nove pessoas e feridas 182, era Azahari Husin, um importante membro da Jemaah Islamiah. O grupo é visto como um braço regional da Al Qaeda.

– Há informações agora que o ligam à preparação do atentado – disse Bachtiar a repórteres, referindo-se ao homem detido.

– Ele confessou que antes do incidente havia estado com Azahari, que carregava um pacote. Ele sabia que no pacote havia material explosivo – afirmou o chefe de polícia. 

A Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, aprovou uma lei antiterror depois dos atentados a bomba de 2002, em Bali, onde foram mortas 202 pessoas. Esses ataques também foram atribuídos à Jemaah Islamiah.

Segundo o ministro da Justiça do país, Yusril Ihza Mahendra, as alterações propostas agora para a lei antiterror dariam à polícia mais poderes para prender suspeitos. As mudanças na lei também prevêem que pessoas que souberem de um atentado terrorista e que não o denunciarem podem ser condenadas a até 15 anos de prisão.

– Nossas leis antiterror não são suficientes para enfrentar todos os casos de terrorismo. É por isso que estamos fazendo esses ajustes – disse o ministro.