Indonésia age para classificar grupo terrorista

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Publicado quinta-feira, 17 de outubro de 2002 as 00:34, por: cdb

O governo indonésio, sob pressão dos EUA para agir decisivamente contra o terrorismo, tomou um grande passo nesta quarta-feira para declarar o grupo fundamentalista islâmico Jemaah Islamiyah em uma organização terrorista.

Por quase um ano, a Indonésia recusou as acusações de que a organização era uma ameaça, ou mesmo sua existência. Mas na manhã desta quarta-feira, o ministro para segurança estadual, Susilo Bambang Yudhoyono, disse que a Indonésia tinha que “respeitar e acreditar” nas afirmações de que o Jemaah Islamiyah era parte de “uma rede terrorista internacional”. Ele acrescentou que a Indonésia “não pode discordar” das visões de Cingapura e Malásia de que o Jemaah Islamiyah era um grupo terrorista.

Em outra reviravolta abrupta, Yudhoyono disse que o líder da organização era Abu Bakar Bashir, um antigo pregador de 64 anos que vive no centro da Indonésia, onde coordena um internato islâmico. Bashir, que expressa admiração por Osama bin Laden e odeia os judeus e o ocidente, tem negado firmemente qualquer relação com o Jemaah Islamiyah, ou a existência do grupo.

Pela primeira vez publicamente, Yudhoyono reconheceu que outro clérigo indonésio, Hambali, também conhecido como Riduanisamuddin, era o líder do Jemaah Islamiyah. O grupo começou como um movimento religioso na década de 70, mas tornou sua causa comum à Al-Qaeda em 1990, de acordo com agências de inteligência asiáticas e ocidentais.

Em uma recente entrevista, autoridades de inteligência de Cingapura, que teriam as melhores informações sobre o Jemaah Islamiyah, disse que Hambali, que foi um fugitivo por muitos meses, foi induzido no círculo interno da Al-Qaeda, uma rara ocorrência para alguém que não é árabe, e foi o organizador de diversos ataques a bomba no sudeste asiático.

Yudhoyono fez uma pausa antes de dizer que a Indonésia estava preparada para prender Bashir, um pedido dos EUA e de outros países, ou para declarar que o Jemaah Islamiyah era uma organização terrorista.

Ele disse que os eventos teriam que aguardar o retorno das autoridades de inteligência que estariam voltando do Paquistão depois de interrogarem Omar al-Faruq, um operante da Al-Qaeda que disse à Agência Central de Inteligência no mês passado que Bashir era responsável por diversos ataques terroristas na Indonésia e estava por trás dos planos para explodir a Embaixada americana. Faruq foi detido na base americana em Bagram, no Afeganistão, desde que foi encontrado pela inteligência indonésia e foi entregue ao EUA em junho.

Outro oficial sênior indonésio explicou nesta tarde que o governo queria construir apoio político no país para perseguir a organização, o que seria mais fácil se não desse a intenção de que o governo estava agindo com base nas informações americanas.

Autoridades indonésias também disseram nesta quarta-feira que a presidente Megawati Sukarnoputri pretendia emitir um decreto que permitira que a agência de inteligência do país prendesse supostos terroristas, incluindo homens como Bashir, e detê-los por sete dias, sem preencher qualquer acusação formal contra eles. Ela deve apresentar uma decisão antes de sábado, disseram.

Diferente da Malásia e Cingapura, a Indonésia não tem uma Lei de Segurança Interna.

Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Austrália, Alexander Downer, pressionou para tornar o Jemaah Islamiyah uma organização terrorista, e prender Bashir, em encontros com Yudhoyono e a presidente Megawati, disseram autoridades australianas. A maior parte dos mortos na explosão de Bali era de australianos.

Uma ação do governo indonésio é esperada “na próxima semana ou mais”, disse Downer em uma coletiva de imprensa realizada nesta manhã depois de um encontro com a presidente Megawati. Ele disse que não quer ser mais específico em público.

Em resposta a questões, Downer negou diversos relatos da mídia que cercam o atentado em Bali. Ele disse que não há evidências de que o exército indonésio estava envolvido no ataq