Índios ocupam desde sábado sede da Funai em universidade paraense

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Publicado quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 as 09:09, por: cdb

Cerca de 200 indígenas ocupam desde sábado a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) instalada no campus de Altamira da Universidade Federal do Pará. Eles protestam contra um decreto que altera o funcionamento das superintendências regionais do órgão.

A ocupação, segundo o presidente do Conselho Indígena de Altamira, Luís Xipáia, se deve à assinatura do Decreto 7.056, publicado no Diário Oficial da União em 28 de dezembro de 2009.

O líder indígena diz que quase todos os funcionários da Funai de Altamira foram afastados, o que deixa as comunidades da região assustadas com a possibilidade de ficar sem assistência da fundação.

– O município de Altamira é a região onde está concentrada a maior população indígena do Pará, maior não em número, mas em quantidade de etnias. Nós temos nove etnias, com 18 aldeias e 4 mil indígenas, além de 6 milhões de hectares em terras indígenas. Isso está sem cobertura, hoje, da Funai. Já estamos sofrendo invasões de nossas terras por causa da perda da administração da Funai em Altamira – acrescenta Xipáia.

Ele afirma que haverá apenas três administrações regionais da Funai no Pará: em Marabá, em Santarém e na capital, Belém. O presidente do conselho se queixa de que as comunidades de Altamira vão ficar subordinadas à Funai de Santarém, que fica a mil quilômetros de distância.

Para o presidente da Funai, Márcio Meira, está havendo um mal-entendido por parte dos indígenas de Altamira. Ele ressalta que não há motivo para o protesto.

– Pelo contrário, nós vamos melhorar a qualidade do atendimento aos indígenas de lá, porque a maioria da população indígena atendida em Altamira é de contato recente. Então, nós estamos criando uma estrutura que a Funai tem, especializada nesse tipo de atenção a esse recente contato. São as redes de proteção etnoambiental – diz.

Em relação à falta de funcionários da Funai, Meira informa que um concurso público vai ser feito  em março.

O presidente da Funai afirma ainda que está disposto a receber uma comissão de indígenas de Altamira para conversar sobre a reestruturação do órgão. Segundo ele, o decreto busca mudar a Funai para melhor, mas ainda não está sendo bem compreendido.