Índios libertam reféns e vão a Brasília

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Publicado terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 as 10:20, por: cdb

Índios que vivem no Parque do Xingu, no Nordeste de Mato Grosso, liberaram na noite desta segunda-feira os oito reféns que estavam retidos na aldeia Moygú. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), os reféns foram levados em um avião do órgão até o município vizinho de Canarana e lá foram libertados.

Em seguida, os líderes fizeram um contato por telefone com o presidente da Funai, Márcio Meira, para estabelecer condições para a ida de representantes Ikpeng a Brasília. Neste domingo, os índios já tinham liberado quatro reféns, dos 12 retidos da aldeia desde a última quarta-feira.

Ficou acertada a ida de 70 Ikpeng, entre líderes e guerreiros, a Brasília nesta quarta-feira. O horário não foi definido, porque é preciso fazer diversas viagens de avião entre a aldeia Moygú e Canarana que serão feitas para transportar os indígenas. Do município, a comitiva segue para Brasília em dois ônibus, um trajeto percorrido em cerca de 12 horas.

Na última quarta-feira, os Ikpeng detiveram oito pesquisadores que estavam na região, a serviço da Paranatinga Energia S/A, e quatro funcionários indígenas da administração do posto Pavurú da Funai.

Na sexta-feira, ficou acertado entre a Funai e os líderes Ikpeng que, no final de semana, viriam a Brasília 50 guerreiros da etnia e os 12 reféns. Mas, no sábado, os índios mudaram de idéia e exigiram a ida do indigenista Cláudio Romero à aldeia.

Os reféns liberados neste domingo foram levados até Cuiabá no avião da Funai. Três deles passavam mal. Guerreiros acompanharam a viagem para garantir a volta da aeronave à aldeia.

No retorno, o avião e o piloto ficaram retidos. Nesta segunda, a indigenista Luzia da Silva foi enviada à aldeia para representar a Funai na negociação com os Ikpeng. Ela também ficou detida, mas novos contatos entre órgão e os líderes Ikpeng resultaram na liberação dos reféns, à noite, e no acerto da viagem da comitiva Ikpeng à capital federal. O piltoto e a indigenista foram liberados com os demais reféns.

Os indígenas Ikpeng protestam contra os impactos ambientais causados por uma usina hidrelétrica construída pela Paranatinga no rio Culuene, afluente do Xingu. Segundo a empresa, os pesquisadores aprisionados trabalhavam no local para fazer um levantamento de impactos ambientais da obra.