Índice de atividade econômica do BC surpreende e sobe 0,36%

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Publicado quarta-feira, 15 de abril de 2015 as 12:42, por: cdb
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A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 0,20% para o IBC-Br em fevereiro

A atividade econômica brasileira avançou 0,36% em fevereiro sobre o mês anterior, segundo índice do Banco Central divulgado nesta quarta-feira, em resultado melhor que o esperado, mas que não indica um horizonte melhor para o crescimento do país daqui para frente, na visão de economistas.

O número de fevereiro do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do BC –considerado uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB)– representou a alta mais forte do indicador desde julho do ano passado, na sequência de um recuo de 0,11% registrado em janeiro na comparação mensal, com dados dessazonalizados.

A expectativa em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters era de queda de 0,20% para o IBC-Br em fevereiro, de acordo com a mediana das projeções de analistas consultados.

Apesar do índice ter vindo acima das expectativas, analistas apontaram que as projeções para o desempenho da economia no primeiro trimestre do ano continuam sendo de queda.

Segundo o economista da Tendências Rafael Bacciotti, o resultado da atividade econômica medida pelo BC em fevereiro pode ter embutido alguma questão de ajuste sazonal.

– Essa alta na margem de fato não reverte uma tendência de enfraquecimento, refletindo tanto a própria dinâmica de produção, que continua numa tendência de queda, quanto a própria dinâmica do varejo – disse.

Um economista-chefe que pediu para não ser identificado disse à Reuters que o resultado “foi ponto melhor que o esperado de um indicador que o mercado não consegue aproximar tão bem assim”, sem força para mudar um cenário que segue apontando para queda da atividade econômica no primeiro trimestre.

No ano o IBC-Br acumula queda de 1,10%. Na comparação com fevereiro de 2014, o índice caiu 0,86%, e em 12 meses recuou 0,60%.

– Eu sinceramente fiquei na dúvida do que aconteceu – avaliou o estrategista da Icap Corretora Juliano Ferreira sobre o desempenho positivo do índice ante janeiro. Ele lembrou que o detalhamento de cálculo do IBC-Br não é aberto, o que torna mais difícil a tarefa de identificar a causa exata da variação.

– Todas as variáveis do meu modelo apontavam para baixo – completou ele, citando especificamente dados da indústria e do varejo para o mês.

Em fevereiro, a produção industrial mostrou perda generalizada entre as categorias e recuou 0,9%, anulando o ganho visto em janeiro.

Já o varejo, outrora destaque da economia, contrariou as expectativas em fevereiro com queda de 0,1% sobre o mês anterior, registrando na comparação anual o maior declínio em mais de uma década, de 3,1%.

Na visão do vice-presidente do Conselho Federal de Economia, Júlio Miragaya, é preciso ter moderação na leitura do índice mensal para “não tomar qualquer sintoma positivo como tendência de que a coisa vai tomar rumo”.

– É dado positivo, mas que não nos permite afirmar que estamos numa trajetória de recuperação da economia – disse ele, que também mantém perspectiva de queda para a atividade econômica no primeiro trimestre do ano.

O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.