Inclinação da cabeça ao beijar é decidida no útero

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Publicado sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003 as 00:01, por: cdb

Um psicólogo alemão revelou que a maneira como as pessoas beijam (com a cabeça virada para a esquerda ou para a direita) é uma característica que se desenvolve no útero e que pode durar por toda a vida.

Embora possam não perceber, as pessoas inclinam a cabeça para um mesmo lado antes de beijar os lábios de outra pessoa.

Para chegar a esta conclusão, o doutor em Biopsicologia pela Universidade de Ruhr, Alemanha, Onur Gunturkun, observou secretamente 124 beijos de casais em aeroportos internacionais, estações de trem, praias e parques dos Estados Unidos, Alemanha e Turquia durante dois anos e meio.

O voyeurismo fez Gunturkun descobrir que para cada duas pessoas que inclinam a cabeça para a direita ao beijar, uma vira para a esquerda. Isso quer dizer que há o dobro de pessoas que tende para a direita durante um beijo. Essa é a mesma proporção das pessoas que escolhem a orelha direita para escutar segredos, conforme o mesmo estudo.

Para Gunturkun, a preferência de virar a cabeça para a direita é um dos exemplos mais precoces da assimetria comportamental. Isso, suspeitam os cientistas, influi na lateralidade, como favorecer o movimento do pé, ouvido ou olho direito.

“Poderia haver um hábito dado a seres humanos desde muito cedo, antes do nascimento, que influi em nossa conduta pelo resto da vida e é perceptível em hábitos tão sutis como, por exemplo, beijar”, disse Onur Gunturkun.

O alemão acrescentou que os resultados do estudo, publicados na revista científica Nature, indicam que os adultos têm uma tendência de inclinar a cabeça à direita, assim como os embriões ou recém-nascidos, pois o feto no útero já tende a girar a cabeça para a direita.

“A preferência de inclinar a cabeça para o lado direito prevalece por toda a vida, então isto pode ser o agente-chave para induzir todas as outras assimetrias que têm nosso cérebro”, comentou.

A famosa escultura de Augusto Rodin, O Beijo, ao que parece, sustenta a descoberta de Gunturkun, pois o casal está com as cabeças inclinadas para o lado direito.