Incidentes na marcha pela democracia em Angola

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 25 de setembro de 2011 as 10:49, por: cdb

Algumas centenas de jovens angolanos protestaram contra a prisão de outros 18 manifestantes no passado dia 3. A polícia impediu o cortejo de seguir caminho e atacou a equipa de reportagem da RTP e um jornalista do Sol.Artigo |25 Setembro, 2011 – 17:31Jornalistas agredidos na manifestação contra o regime em Luanda. Foto club-k.net

A manifestação é a segunda deste mês abertamente contra o regime de José Eduardo dos Santos. O protesto de 3 de Setembro acabou na detenção de 18 jovens, que cumprem penas de 45 a 90 dias de prisão efectiva.

O cortejo partiu do cemitério de Santa Ana e pretendia chegar ao Largo da Independência, mas a polícia impediu a marcha de prosseguir, gerando um impasse na manifestação. Enquanto decorriam as negociações entre os responsáveis da manifestação e a polícia de Luanda, alguns agentes à paisana aperceberam-se da presença dum repórter da RTP. Segundo o blog Central 7331, “o jornalista da RTP, Paulo Catarro, foi agredido por agentes à paisana e a sua camera foi partida. Puseram-lhe uma substância tóxica nos olhos e a reportagem da RTP foi obrigada a se retirar do local”. O site club-k.net diz que um jornalista do semanário Sol foi igualmente agredido pelos agentes.

A marcha de protesto estava inicialmente marcada para sábado, mas o MPLA respondeu com a convocatória duma marcha de apoio ao presidente angolano para o mesmo dia em vários municípios do país. Segundo a agência Lusa, os manifestantes empunham cartazes onde se pode ler “Viemos apelar a libertação dos nossos irmãos, viva a democracia e a liberdade”, “Justiça social para o povo”, “Manifestação não é crime”, entre outros.

O jornalista Rafael Marques, citado pelo Público, diz que “há muitos polícias à paisana no meio dos manifestantes”, que “tentam impedir que tirem fotografias ou que registem imagens do que se está a passar”.

Num artigo de opinião, o ex-primeiro-ministro Marcolino Moco, uma das vozes mais críticas em relação a Eduardo dos Santos, fala das manifestações “que estão a transformar muitos dos nossos filhos em prisioneiros políticos, em pleno Século 21 e numa Angola formalmente democrática, há quase 20 anos” e recomenda ao presidente angolano “acabar de imediato com as prisões de jovens que só reivindicam o lugar que lhes cabe na história dos dias que correm, que já se fartaram de serem submetidos a paradigmas antiquados”

Artigos relacionados: Angola: 14 ONG’s condenam detenção e tortura de manifestantes