Incêndios consomem mais de 200 mil hectares de florestas na Rússia

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Publicado sexta-feira, 2 de maio de 2003 as 10:31, por: cdb

Incêndios se alastram na Sibéria e no extremo-leste da Rússia, onde desde o início da primavera (hemisfério norte) mais de 200 mil hectares de bosques e taiga já foram destruídos, informaram, nesta sexta-feira, as autoridades russas.

A situação mais grave, segundo a agência oficial russa Itar-Tass, é a da região siberiana de Chitá, fronteira com a China, onde atualmente 30 mil hectares de taiga estão em chamas.

Mais de 2.500 bombeiros, com o apoio de 300 veículos e aviões-pipa, tentam conter os mais de 120 focos de incêndio na região, responsáveis pela destruição de instalações do Serviço Federal de Guarda-fronteira (SFG) da Rússia ao longo de 30 quilômetros da divisa com a China.

O escritório de imprensa do SFG informou que os danos causados às instalações e aos equipamentos obrigaram o comando a aumentar o número de patrulhas que vigiam essa fronteira.

Segundo as autoridades de Chitá, os bombeiros conseguiram nesta quinta-feira conter o fogo numa superfície de 5.500 hectares.

– A situação na região de Chitá foi normalizada e está sob controle. Os incêndios florestais não ameaçam nenhuma população – declarou na sexta o vice-ministro russo para Situações de Emergência, Guennadi Korotkin.

Por outro lado, na região de Khabarovsk, às margens do oceano Pacífico, onde 26 mil hectares de florestas estão em chamas, o fogo se aproxima de várias outras localidades.

Na terça-feira passada, as autoridades de Khabarovsk decretaram estado de emergência em quatro distritos da região afetados pelos incêndios florestais, mas os esforços das equipes de bombeiros não foram suficientes para conter o fogo.

– As mudanças da direção do vento não ajudam: as correntes de ar levam a fumaça para toda a região. Os incêndios estão em toda parte: desde a fronteira com a região de Amur até o estreito Tatarski, no leste – afirmava da região um escritório de Itar-Tass.

Segundo o Serviço de Vigilância Florestal da Rússia (SVFR), neste ano mais de 56 mil hectares de bosques e 155 mil hectares de taiga e campos de pastagem foram queimados.

Em 2002, os incêndios destruíram 2 milhões de hectares de bosques da Rússia, um prejuízo de 47,3 milhões de euros, o mais alto nos últimos cem anos.

Os estudos feitos pelo SVFR afirmam que a maior parte dos incêndios ocorrem em função da imprudência de excursionistas.

No entanto, em alguns casos, sobretudo perto das grandes cidades e capitais regionais, os incêndios são provocados intencionalmente para abrir áreas para a construção de casas e outras instalações.

O Ministério da Rússia para Situações de Emergência e a Prefeitura de Moscou impuseram, na segunda-feira passada, restrições de acesso às florestas próximas a capital russa, para prevenir incêndios como os do verão passado, que tornou o ar da cidade quase irrespirável.

Além de florestas, Moscou está rodeada por jazidas de combustível de origem vegetal, que, quando inflamadas, fazem o fogo se alastrar para o subterrâneo aflorando a superfície nos lugares mais inesperados, dificultando o controle.

As autoridades moscovitas anunciaram que as florestas dos arredores da capital serão vigiadas por efetivos do Ministério do Interior e equipes móveis do Ministério da Rússia para Situações de Emergência, para detectar e conter esses incêndios.