Incêndio em Ouro Preto pode ter sido criminoso, acredita PF

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Publicado quarta-feira, 16 de abril de 2003 as 09:30, por: cdb

Técnicos da Promotoria de Justiça do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural e peritos da Polícia Federal estão em Ouro Preto para fazer o laudo pericial e apurar as causas do incêndio que destruiu o casarão barroco onde funcionou o Hotel Pilão, na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, Minas Gerais. Há fortes suspeitas de que o fogo tenha sido criminoso.

O casarão, que pegou fogo e desabou na noite de domingo, foi adquirido há cerca de seis meses pelo empresário e ex-secretário de Indústria e Comércio Omar Peres do governo Itamar Franco. A idéia, segundo o empresário, que recebeu as chaves há 30 dias, era restaurar o casarão e transformá-lo em um hotel cinco estrelas. Ele fez o seguro do imóvel, cujo valor do prêmio foi de R$ 1 milhão, há apenas dois meses.

“Depois do que houve, vou criar uma comissão, com representantes do Iphan e arquitetos de renome nacional, para a reconstrução do prédio e reconstituição da fachada, através de fotografias. É triste não poder mais restaurá-lo”, afirma. Segundo o empresário, que prefere não divulgar o valor da transação, o imóvel estava segurado. “O seguro, naturalmente, não cobre o prejuízo, mas valores no momento de uma perda irrecuperável não têm importância”, avalia.

Segundo o empresário, os três inquilinos que tinham contratos de locação em vigor no casarão já haviam sido notificados judicialmente de que deveriam deixar o imóvel.

Pelas estimativas do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), em Ouro Preto, uma reconstrução cuidadosa não deve levar menos do que um ano. O secretário de Estado da Cultura, Luiz Roberto Nascimento da Silva, que representou o governador Aécio Neves (PSDB) durante a manhã desta quarta-feira, anunciou uma parceria entre o Estado, a prefeitura e o proprietário do imóvel. “É um problema de todo nós e certamente o Estado entrará com recursos”, afirma o secretário, que também de dispôs a intervir junto ao secretário de Defesa Social, Lúcio Urbano, ao qual está subordinada a estrutura do Corpo de Bombeiros, para solicitar um efetivo maior em Ouro Preto, caso se confirme que o contingente está sendo insuficiente para proteger o patrimônio da cidade.

Devido ao risco de queda dos escombros, o acesso ao antigo casarão foi interditado, assim como o prédio à sua esquerda, onde funciona a Pousada da Imperatriz, na Rua Cláudio Manoel. Três outros imóveis também foram isolados por questões de segurança. Segundo divulgou a prefeitura, as atividades comemorativas de 21 de abril permanecem inalteradas.