Incêndio em Belo Horizonte mata gêmeos de 2 anos carbonizados

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Publicado quinta-feira, 6 de novembro de 2003 as 03:09, por: cdb

Os irmãos gêmeos Douglas Marden Porto Ribeiro e Vitor Marden Porto Ribeiro, que completaram dois anos no último dia 14, morreram carbonizados em um incêndio que destruiu o apartamento onde moravam, no quarto andar do Bloco C-154 do Conjunto Habitacional Waldemar Diniz Henriques, que tem 398 apartamentos, em uma tragédia que abalou o Bairro Santa Inês, na Zona Leste de Belo Horizonte.

O fogo começou às 12h30 da última quarta-feira, quando as crianças estavam em companhia dos avós João Orozimbo Ribeiro, 72 anos, e Mércia Pires Celani, de 61. Eles conseguiram se salvar e foram internados no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII – ela, com 12% do corpo queimado, e ele, com 8%, ambos com queimaduras de 1º, 2º e 3º graus. De acordo com os médicos do HPS, eles não correm risco de morte.

Até o começo da noite de quarta, a polícia não possuía informações seguras sobre as causas do incêndio. No local, vizinhos das vítimas disseram acreditar que as chamas teriam surgido na sala do apartamento, onde as crianças brincavam.

Acidentalmente, elas teriam ateado fogo em uma cortina da sala, que atingiu uma poltrona, dando início a um incêndio que, em questão de minutos, se alastrou, destruindo os cinco cômodos do imóvel. Em meio ao pânico, a avó Mércia teria sido obrigada a escolher quem salvar primeiro, optando pelo marido, o sexagenário João Orozimbo Ribeiro, que tem dificuldade de locomoção.
Quando Mércia tentou voltar ao apartamento para resgatar os netos, o fogo já tinha tomado conta de tudo.

Trinta homens do 1º Grupamento de Combate a Incêndios, comandados pelo capitão Alexandre Gomes Rodrigues, chegaram ao local minutos depois de acionados, mas não encontraram hidrantes no prédio. Os extintores que existiam nos quatro andares foram utilizados por moradores de outros blocos, já que a maioria dos habitantes dos 16 apartamentos do Bloco C-154 não estava em casa.

A tragédia que se abateu sobre a família Ribeiro sensibilizou os moradores do conjunto habitacional. O pai das crianças, André Luiz Marden Ribeiro, que está desempregado, não se encontrava em casa na hora do fogo. Quando chegou, teve que ser amparado por amigos. A mãe, Lucyneide Esteves Porto, estava em São Paulo. A outra filha do casal, Roberta Porto Ribeiro, com 11 meses de idade, só escapou da morte porque horas antes foi levada por uma tia.

Este não foi o primeiro incêndio no Bloco C-154 do Conjunto Waldemar Diniz Henriques. Há pouco mais de um ano, o fogo quase destruiu outro apartamento, no segundo andar, onde uma mulher adormeceu com uma vela acesa perto da cama. Mas o incêndio de quarta provocou pânico entre os moradores, por causa de sua intensidade e rapidez.
 
Os soldados do Corpo de Bombeiros encontraram, entre os destroços, dois botijões de gás intactos, perto da cozinha, o que reforça a versão de que o fogo possa ter sido provocado acidentalmente pelas crianças, ou por um curto-circuito. A instalação elétrica dos apartamentos do bloco é original, feita há mais de 25 anos.

Os militares constataram que, além da ausência de hidrantes no Bloco C-154, não existiam corrimãos, mas escadas, e as saídas de emergência não atendem às normas de segurança.
 
– Os métodos preventivos adequados estavam comprometidos no bloco – afirmou o capitão Alexandre Rodrigues.

Mas o síndico do conjunto residencial, o administrador de empresas Alexandre Ribeiro, afirmou que em fevereiro deste ano o Corpo de Bombeiros havia agendado uma visita ao conjunto de prédios para uma vistoria, o que até ontem não teria acontecido.

O incêndio no Bloco C-154 do Conjunto Habitacional Waldemar Diniz Henriques provocou cenas de pânico e tristeza. Instantes depois que os avós conseguiram sair do prédio, homens, mulheres, jovens e funcionários da administração do condomínio se aglomeraram diante do edifício, gritando por socorro.
 
A avó dos gêmeos, Mércia Celani, disse que os dois netos estavam no apar