Inadimplência cai e taxa de juros atinge menor nível já registrado pelo BC

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Publicado quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 as 11:01, por: cdb
Inflação
A estimativa é de inflação de 4,4% neste ano pelo cenário de referência -com juros constantes em 9,75% e dólar 1,75 real

O nível de inadimplência das famílias registrou uma queda de 0,1 ponto percentual, entre outubro e novembro, ao cair para 7,8%, segundo informe do Banco Central (BC), divulgado nesta quarta-feira. O atraso nos pagamentos das empresas, assim considerados após o prazo de 90 dias, permaneceu estável em 4,1%.

Segundo o BC, a taxa média de juros para empresas e pessoas físicas segue em queda e chega ao menor nível da série histórica iniciada no início deste século, em 28,9% ao ano, com redução de 0,5 ponto percentual em relação a outubro. Novembro é o nono mês seguido de redução da taxa média.

A redução na taxa de juros de outubro para novembro, no caso das famílias, chega a 0,6 ponto percentual, em 34,8% ao ano. Para as empresas, queda chegou a 0,4 ponto percentual para 21,7% ao ano. A diferença entre taxa de captação de recursos e a cobrada dos clientes (spread), também sofreu uma redução para pessoas físicas de 0,5 ponto percentual, para 27,3 pontos percentuais. Para as empresas, o spread caiu 0,3 ponto percentual, para 14,7 pontos percentuais.

Lucro dos bancos

A redução do spread bancário tem sido uma tendência ao longo deste ano, demonstrada nos balanços do terceiro trimestre divulgados por Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil. Todos mostraram menor rentabilidade em comparação ao mesmo período do ano passado. O banco controlado por Roberto Setubal perdeu 3,25%, enquanto o BB  registrou 5,7% – queda semelhante à dos espanhóis. Entre os que conseguiram manter lucratividade crescente estão Bradesco, com 2,1%, e Caixa Econômica Federal, com 17,7%, recorde entre os grandes bancos no período.

–  Mas não necessariamente a redução de juros vai significar uma redução no lucro dos bancos. Vai depender muito da estratégia que os bancos vão adotar. Mas é fato que, devido às ações do governo e dos bancos públicos, as instituições privadas começaram a perder algumas fontes de receita fáceis – afirmou Gustavo Cavarzan, analista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Segundo Cavarzan, o dinheiro fácil que ano após ano enchia os cofres dos banqueiros brasileiros era originário dos juros altos, materializado na taxa Selic. Definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a Selic é conhecida também como taxa básica de juros da economia. É com base nela que praticamente todas as demais taxas de juros são calculadas, desde a remuneração da poupança até a prestação do carro. Portanto, uma Selic baixa significa a possibilidade de juros mais baixos para toda a economia. Na outra ponta, uma Selic nas alturas joga pra cima todos os demais juros do país.

Em outubro, o Banco Central reduziu a taxa Selic ao nível mais baixo da história: 7,25% ao ano. Para se ter uma ideia, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a Selic chegou a 45%. Na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa oscilou entre 26,5% e 8,75%. A Selic é importante porque define o custo do dinheiro no Brasil, ou seja, o rendimento que os donos do dinheiro – bancos e investidores – terão em cada tipo de investimento. Com a Selic muito alta, quem tem dinheiro para investir escolhe colocá-lo em opções que remuneram de acordo com a taxa básica de juros, como os títulos da dívida pública. É um tipo de investimento que não traz grandes riscos ao investidor, mas propicia margens de lucro atrativas. Quando a Selic está baixa, porém, a rentabilidade cai – e o investidor que quiser fazer dinheiro com seu dinheiro deve procurar outras alternativas.

Além de reduzir o spread, os bancos públicos também estão “atacando” seus concorrentes privados pelo flanco as tarifas. Nos últimos 12 meses – e impulsionados pela redução dos juros –, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander aumentaram suas tarifas e o preço de seus serviços em 16%, 8% e 11%, respectivamente. Enquanto isso, o Banco do Brasil anunciou a redução de tarifas e preços de pacotes em até 34%, válido a partir do dia 15 de outubro. Já a Caixa prevê queda de até 25% nas tarifas.

– Essa é uma tendência que ainda está para se confirmar, mas que também é importante – afirmou Cavarzan.

Entre os privados, o Itaú Unibanco espera reduzir o preço de 15 tarifas para pessoas físicas e oito para empresas. Segundo o banco, os percentuais de redução chegam a 32,5%.