Imprensa mundial comenta violência no Rio e sistema de cotas

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Publicado sexta-feira, 9 de maio de 2003 as 11:08, por: cdb

A violência no Rio de Janeiro e o sistema de quotas em universidades do Estado receberam destaque na imprensa internacional nesta sexta-feira.

Em sua edição que chegou às bancas nesta sexta-feira, a revista britânica The Economist chama a atenção para o fato de que a violência chegou até mesmo aos bairros mais ricos da capital fluminense – algo novo até para “quem está acostumado a viver em uma das cidades mais violentas do mundo”.

A revista diz que o governo estadual tem uma horrível história recente e afirma que quem manda de verdade no Rio não é a governadora Rosinha Matheus, mas seu marido, o recém-empossado secretário de Segurança Anthony Garotinho.

Afirmando que Garotinho deseja disputar a Presidência da República em 2006, a revista diz que ele pode sentir a tentação de fechar um acordo com os traficantes de drogas a fim de obter resultados rápidos no combate à violência. Se isso acontecer, afirma a publicação, “ele vai entrar em choque com o governo federal, que tem noções mais radicais de reforma”.

O Libération, de Paris, diz que a iniciativa de implantar um sistema de quotas raciais nas universidades do Rio de Janeiro está causando polêmica em um país que se orgulha de ter uma “democracia racial”.

Segundo o jornal, as universidade públicas brasileiras são um “bastião das elites brancas” e qualquer tentativa de aumentar a participação dos negros nelas enfrenta resistência.

O jornal levanta dúvidas sobre a propalada “democracia racial” e diz que as desigualdades sociais também são fruto do racismo, e não apenas da pobreza.

Um exemplo citado é o do mercado de trabalho.

– Mesmo com uma qualificação similar, um negro não pode esperar uma posição igual à de um branco – diz o jornal.

Os jornais argentinos abrem espaço para a visita do candidato a presidente Néstor Kirchner a Luiz Inácio Lula da Silva, na quinta-feira em Brasília.

“Lula dá aval a Kirchner”, diz o La Nación em sua primeira página, afirmando que o presidente brasileiro manifestou seu apoio e prometeu fidelidade ao candidato argentino.

Para o Clarín a longa duração do encontro – 1h15min ao invés dos 40min programados – mostra que o governo do Brasil dá como certa a vitória de Kirchner na votação do dia 18.

– A atenção dada ao governador de Santa Cruz na imprensa brasileira também foi um indicador que todos aqui o consideram como o futuro presidente argentino – escreveu o enviado especial do jornal a Brasília, Daniel Míguez.

Kirchner é apoiado pelo presidente Eduardo Duhalde e seu rival no segundo turno da eleição argentina é o ex-presidente Carlos Menem, um antigo desafeto de Lula.