Impeachment, a nostalgia dos golpistas

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Publicado segunda-feira, 6 de abril de 2015 as 16:30, por: cdb
Quem é Rogério Chequer, o impresário que financia  Vem pra Rua?
Quem é Rogério Chequer, o impresário que financia Vem pra Rua?

Nas últimas semanas o Brasil tem sido palco de manifestações de todos os tipos. A mídia conservadora de um modo geral tem dado grande destaque aos grupos que pedem o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.

Aproveitando o embalo estimulado pelos jornalões e telejornalões aparecem os defensores do retorno dos militares ao poder. Um grupo que se intitula “Vem pra Rua” merece uma análise mais profunda, sobretudo o empresário que está à frente, um tal de Rogério Chequer. Esta figura, um ilustre desconhecido até bem pouco tempo, vem ocupando grandes espaços midiáticos.

O referido chegou a ser entrevistado no programa da TV Cultura intitulado Roda Viva, espaço caracterizado pelo esquema convescote jornalístico, ou seja, quando os entrevistadores levantam a bola para o entrevistado dar o recado sem questionamentos.

Nestes dias Chequer foi contemplado com uma entrevista no jornal O Estado de S. Paulo onde disse, entre outras pregações, que o “Vem pra Rua passou a aceitar a tese do impeachment de Dilma Rousseff.E como se explica o fato de o empresário de uma hora para outra ganhar tanto espaço na mídia? Por coincidência ou não, o nome de Chequer circula pelo menos desde fevereiro de 2012 na lista de correios eletrônicos da empresa de “inteligência global” Staifor, vinculada a CIA.

Segundo informa o jornalista Paulo Henrique Amorim, o nome de Chequer apareceu no site Wikleaks, confirmando o vínculo com o serviço de inteligência norte-americano.Claro que a informação divulgada por Amorim foi totalmente omitida pelos jornalões e telejornalões, que seguem tentando convencer a opinião pública a seguir o ideário do “Vem pra Rua”.

Então, automaticamente surge uma pergunta para alguns jornalões, como o Globo, por exemplo, que disse ter feito uma autocrítica por ter apoiado o golpe de abril de 1964.  Foi para valer ou apenas para inglês ver?     Ao que tudo indica, a autocrítica não passou de uma declaração pública pró forma em função do desgaste que vinha provocando a lembrança de que a publicação de propriedade da família Marinho não só apoiou entusiasticamente o golpe como se locupletou com o movimento civil militar.

Como disse inúmeras vezes o então Governador Leonel Brizola, o grupo Globo engordou na estufa da ditadura. E isso nos dias de hoje pega mal. Mas se a autocrítica fosse para valer o sistema Globo não repetiria como farsa lances midiáticos semelhantes aos de 51 anos atrás e até reproduziria a informação do site Wikeleaks sobre o vínculo do empresário Chequer com a CIA.

Na questão das manifestações contra o governo Dilma Rousseff, já com nova data marcada, vale também assinalar que os defensores do retorno dos militares ao poder estão cometendo uma flagrante ilegalidade. Esse grupo corresponde na Europa aos defensores do retorno do nazismo de Adolfo Hitler ao poder. Na Alemanha e em outros países, os defensores do nazismo quando aparecem em público fazendo a apologia da barbárie são autuados e respondem na Justiça.

Por aqui, os que pregam o retorno de um regime que torturou e matou opositores pelo simples fato de serem opositores se aproveitam da democracia vigente no país para pregar algo equiparável ao nazismo. Precisam ser denunciados pelos defensores da democracia na verdadeira acepção da palavra e não apenas da retórica vazia.Já no que diz respeito a figuras hoje engajadas nas tentativas de impeachment, o destaque fica por conta do Senador Aloizio Nunes Ferreira.

Como todo ex alguma coisa, no caso do senador, ex-motorista do revolucionário Carlos Marighela, Nunes Ferreira tem feito pronunciamentos de todos os tipos. Em um de seus últimos, Nunes Ferreira defendeu ardorosamente projeto de decreto legislativo para anular o convênio que permite a participação de médicos cubanos no programa Mais Médicos.

Ele propôs o fim do acordo com a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), que intermediou a contratação entre o Brasil e Cuba para a vinda dos médicos cubanos, atualmente em um total de 11 mil e 400.Com isso, o ex-motorista na prática pretende acabar com o programa Mais Médicos e se isso acontecer o mais prejudicado será o povo brasileiro, pois acabar com o programa é afetar o atendimento de milhões de brasileiros em locais onde médicos brasileiros nunca apareceram.

Em tempo, teria sido coincidência o fato de a TV Globo ter apresentado um programa jornalístico com o objetivo de induzir os telespectadores a repudiar o Mais Médicos, sobretudo a presença de médicos cubanos, segundo a Rede Globo, “submetidos a contratos terríveis que impedem a presença de familiares (filhos) dos médicos por mais de um mês”.E imaginar que na campanha presidencial do ano passado, o candidato do PSDB, Aécio Neves jurava que se fosse eleito não acabaria com o programa em questão.

Mário Augusto Jakobskindjornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançado no Rio de Janeiro.

Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas colunistas de opiniões diferentes, dentro do espírito de democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins.