Impasse no setor automotivo acirra disputa Brasil e Argentina

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 9 de setembro de 2004 as 11:16, por: cdb

As montadoras instaladas no Brasil não ficaram satisfeitas com a notícia de que a Argentina pretende prorrogar a data de início do livre comércio de veículos entre os dois países, que deveria entrar em vigor em 2006. Ainda assim, admitem negociar desde que a abertura do mercado prossiga.

– O acordo que temos é para abertura em 2006 (…) Agora não podemos abrir mão de uma data de mercado livre sem negociar – comentou na noite de quarta-feira, Rogelio Golfarb, presidente da Anfavea, associação que representa as fabricantes de carros no país.

Ao mesmo tempo, ele destacou que o processo de abertura comercial não pode ser unilateral e observou que a Argentina deve abrir suas portas a produtos importados de maneira “coordenada e gerenciada”.

O presidente argentino, Néstor Kirchner, afirmou na quarta-feira que seu governo não vai liberar o comércio de automóveis em 2006, argumentando que isso poderia prejudicar a indústria argentina. Este ano, os dois países entraram em confronto comercial nos setores têxtil e de eletrodomésticos, após decisão da Argentina de impedir a entrada destes produtos.

O comércio de veículos entre os dois países está regulado desde 2000, quando foi acertado um acordo com objetivo de evitar que as exportações brasileiras sobrecarregassem o mercado argentino depois da desvalorização do real. O acordo estabelece que, em 2006, a indústria argentina estaria fortalecida o suficiente para suportar a competição brasileira.

– Faz parte deste processo de abertura (comercial) que se façam ajustes e é isso que nos vamos fazer (…) Em um acordo internacional não se acaba com o que está assinado, você tem que administrar”, afirmou Golfarb, que também é diretor da Ford e está em Foz do Iguaçu para o lançamento do novo Fiesta Sedã.

Nesta quinta-feira, o ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, inicia visita ao Brasil para uma série de encontros com representantes da equipe econômica brasileira, em que deve discutir, entre outros temas, as relações comerciais entre os dois países.