Ilha das Cobras poderá ser a nova prisão de Beira-Mar

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Publicado terça-feira, 17 de setembro de 2002 as 23:09, por: cdb

Ilha das Cobras, Baía de Guanabara, Rio de Janeiro. Este é o local onde o traficante mais perigoso do Brasil, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, poderá ficar confinado e isolado.

Técnicos do Ministério da Justiça estudam a possibilidade de transferir o traficante para o presídio militar, mantido pela Marinha e que funciona na Ilha. A afirmação foi dada, nesta terça-feira, pelo ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro.

O ministro explicou que Beira-Mar é um prisioneiro da jurisdição penal do Rio de Janeiro e que, portanto, a sua transferência para outro estado da Federação dependeria da anuência do juiz do Rio e daquele estado que irá recebê-lo.

O problema é que nenhum outro estado brasileiro deseja o perigoso traficante, que, apenas usando um telefone celular, é capaz de organizar chacinas, rebeliões, comprar armas e subornar policiais, entre outros crimes.

“Todo esforço no sentido de transferi-lo vem sendo feito, não só pelas autoridades do Rio de Janeiro, mas pelo Ministério da Justiça, junto a outros estados. Nós vivemos em um estado de direito e existem leis que regem o caso. Eu, mesmo que quisesse transferi-lo de uma hora para outra, precisaria atender à determinação jurídica e judicial”, reclamou Paulo de Tarso.

O ministro participou, pela manhã, da reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública, que discutiu, entre outras questões, a gestão penitenciária e programas estaduais de segurança pública.

Atualmente, mais de 3.500 pessoas trabalham em várias organizações militares sediadas na Ilha das Cobras, que fica próxima ao porto do Rio.

As principais são: Hospital Central da Marinha, Serviço de Documentação Geral da Marinha, Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, Presídio da Marinha, Comando do Corpo dos Fuzileiros Navais e Centro de Controle de Estoque da Marinha.

O antigo presídio para onde Beira-Mar seria conduzido foi construído em 1624 e já abrigou presos ilustres, como os inconfidentes Alvarenga Peixoto e Tomaz Antônio Gonzaga.

Paulo de Tarso fez críticas à administração da penitenciária de segurança máxima de Bangu I, no Rio de Janeiro.

“Fernandinho Beira-Mar tem toda essa liberdade porque a gestão penitenciária não é bem feita. Ele tem acesso a regalias que nenhum outro preso tem no Brasil. Em Bangu I, a situação é de descontrole”, afirmou o ministro.

Atualmente, Beira-Mar é mantido no Batalhão de Choque da Polícia Militar, no centro do Rio de Janeiro, em uma cela de nove metros quadrados, sendo vigiado 24 horas por câmeras.

O traficante, acostumado a pagar fortunas a agentes penitenciários corruptos para ter regalias, já reclamou do tratamento dispensado a ele pelos militares. A queixa foi feita por meio de dois de seus advogados, as únicas pessoas que puderam visitá-lo na cadeia.

Na semana passada, o traficante comandou uma rebelião em Bangu I com o objetivo de assassinar desafetos no tráfico. Subornando agentes penitenciários, com vultuosas quantias, Beira-Mar conseguiu armas e chaves para passar de uma galeria a outra do presídio de segurança máxima.

Na rebelião, quatro presos foram mortos, entre eles o traficante Ernaldo Pinto de Medeiros, conhecido como Uê, cujo corpo foi queimado.

Beira-Mar só se entregou após concluir o que chamou de “serviço” e ainda saiu sorrindo, debochando da sociedade e da Polícia carioca.