Ilan Goldfajn, diretor de Política Monetária do BC, pede demissão

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Publicado quinta-feira, 22 de maio de 2003 as 19:47, por: cdb

Alegando motivos particulares, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC) do Brasil, Ilan Goldfajn, apresentou ao presidente da instituição, Henrique Meirelles, um pedido de demissão do cargo, horas depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar a manutenção da taxa de juros básicos, ou Selic, em 26,5% ao ano.

Meirelles e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, aceitaram o pedido, feito na noite da última quarta-feira (21), e autoridades do ministério negaram qualquer relação entre a saída de Goldfajn e as críticas feitas pelo vice-presidente da República, José Alencar, à política de juros altos.

O Ministério da Fazenda informou, nesta quinta-feira, que o economista Afonso Bevilaqua foi escolhido para substituir Goldfajn, embora a nomeação tenha ainda que ser submetida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovada pelo Senado, após sabatina.

Comentando a renúncia, o Ministério da Fazenda afirmou, em nota oficial, que a “saída do diretor Ilan Goldfajn é um desejo pessoal de retomar a vida privada após ter contribuído para o Banco Central desde meados de 2000”.

Ilan, ainda de acordo com a nota, permanecerá no BC até o início de julho.

Em entrevista coletiva ao lado de Goldfajn, nesta quinta-feira, o presidente do BC, Henrique Meirelles, negou que o encarregado da polícia monetária tenha decidido deixar o cargo devido às críticas ao patamar atual dos juros.

Meirelles assegurou que a saída de Goldfajn foi acertada em dezembro passado e não tem qualquer relação com comentários “momentâneos” sobre a taxa de juros.

Ainda assim, na tentativa de evitar especulações, Meirelles reconheceu que pensou em mudar a data da saída do diretor do BC, mas acabou decidindo manter o cronograma original.

Meirelles também afirmou ver com serenidade e tranqüilidade as críticas do vice-presidente da República, José Alencar, sobre a taxa de juros.

Para Meirelles, Alencar, que há dois dias chegou a afirmar que o governo deveria pedir desculpa aos brasileiros pelo nível da Selic, quis fazer, na verdade, “um chamamento e um apelo para que se baixe a taxa de juros no longo prazo”.

Goldfajn, de sua parte, assegurou que a sua saída foi um pedido pessoal para retomar suas atividades privadas. Durante a quarentena que terá que cumprir, que começa em julho, o dirigente pretende voltar a atividades acadêmicas.

O diretor classificou como “ruídos” as críticas à taxa de juros, nada mais que manifestações democráticas.

– São ossos do ofício e não tem nada a ver com a minha saída, que estava decidida de longa data – completou.