IGP-M e IPC-S confirmam aquecimento da demanda e alta de preços

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Publicado quarta-feira, 9 de setembro de 2009 as 12:32, por: cdb

Ao contrário das expectativas de uma nova deflação, alimentada por economistas, o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu em agosto após dois meses seguidos de queda. Analistas financeiros já esperavam que a tendência declinante seria interrompida, mas em setembro, e não no mês anterior. O movimento deveu-se à interrupção da queda dos custos no atacados, em grande parte refletindo maiores preços de alimentos in natura. O indicador subiu 0,09% em agosto, ante deflação de 0,64% em julho, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta-feira. Dezoito analistas consultados pela agência inglesa de notícias econômicas Thomson/Reuters previam queda de 0,10%. Os prognósticos oscilaram de baixa de 0,23% a 0,05%.

“Avaliamos que o resultado desta quarta-feira confirma, enfim, a sinalização que vinha do atacado acerca da diminuição da intensidade deflacionária. Isso reforça nossa expectativa sobre a aceleração deste conjunto de preços no último trimestre de 2009, na esteira da recomposição da cotação de várias commodities, movimento ligado à recuperação da atividade econômica”, afirmou a LCA Consultores em nota.

Dentre os índices que compõem o IGP-DI, o que mede a evolução de preços por atacado (IPA) e responde por 60% da taxa global subiu 0,07%, depois de ter ficado em -1,16% em julho. O índice relativo a bens finais teve alta de 0,38% ante queda de 0,89%. O destaque foi o subgrupo alimentos in natura (de -4,39% para 4,42%).

Ainda no âmbito do IPA, o índice do grupo bens intermediários subiu 0,38%, depois de ter registrado -0,33% em julho. O  levantamento aponta como destaque o subgrupo materiais e componentes para a manufatura (de -0,31% para 0,63%). Já o índice de matérias-primas brutas apresentou queda de 0,86%, menos intensa do que a observada em julho (-2,88%). O movimento foi influenciado pelos produtos soja em grão (de -5,30% para -0,23%), laranja (de -19,19% para 3,23%) e minério de ferro (de -15,09% para -7,07%).

Outro componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), responsável por 30% da taxa global, subiu 0,20%, menos do que no mês anterior (0,34%). As principais contribuições para o movimento partiram de habitação (de 0,66% para 0,34%), com destaque para tarifa de eletricidade residencial (de 3,89% para 0,48%) e vestuário (de 0,43% para -0,98%), especialmente roupas (de 0,26% para -1,38%).

Também caíram as taxas relativas aos grupos saúde e cuidados pessoais (de 0,29% para 0,03%), despesas diversas (de 0,11% para -0,02%) e educação, leitura e recreação (de 0,06% para -0,01%). Os transportes registraram a mesma variação do mês anterior (0,21%) e o grupo alimentação foi o único a ter acréscimo na taxa (de 0,18% para 0,40%), pressionado pela alta nos preços das hortaliças e legumes (de -3,86% para 3,55%), frutas (de 2,09% para 7,64%) e carnes bovinas (de -0,96% para 0,12%).

Último componente do IGP-DI, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que responde por 10% da taxa global, registrou em agosto queda de 0,05%, abaixo do resultado de julho (0,26%). Os preços de materiais e equipamentos, que tinham apresentado queda de 0,22% em julho, em agosto caíram ainda mais: 0,38%. Já o custo da mão de obra subiu menos, passando de alta de 0,65% para 0,15%. O índice relativo aos serviços passou de 0,44% para 0,30%.

Para calcular o IGP-DI de agosto foram coletados preços entre os dias 1º e 31 do mês de referência. O índice mede o comportamento de preços em geral da economia brasileira.

Nas capitais

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu na primeira semana de setembro em cinco das sete capitais pesquisadas. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, a alta mais intensa foi observada em São Paulo, onde o índice passou de 0,38% na última semana de agosto para 0,91% na semana encerrada em 7 de setembro. A capital paulista é a que tem maior peso na formação do índice.

Também houve alta do IPC-S nas seguintes capitais: Belo Horizonte (de 0,16% para 0,47%), Porto Alegre (de -0,11% para -0,01%), Rio de Janeiro (de 0,05% para 0,40%) e Salvador (de 0,10% para 0,26%). Apenas em Brasília (de 0,52% para 0,48%) e em Recife (de 0,09% para 0,03%), a inflação foi menor no período. O IPC-S nacional da primeira semana do mês ficou em 0,56%, 0,36 ponto percentual acima da taxa relativa à apuração anterior (0,20%). A principal contribuição partiu dos alimentos in natura, especialmente hortaliças e legumes (de 3,35% para 7,54%) e frutas (de 7,64% para 17,66%).