IGP-10 apresenta inflação após alta nos preços no atacado

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 18 de setembro de 2009 as 13:27, por: cdb

A recuperação dos preços industriais e agropecuários no atacado levaram o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) a interromper em setembro uma sequência de três meses de deflação, registrando uma taxa positiva próxima do teto das previsões do mercado. O índice aumentou 0,35% este mês, após recuar 0,60% em agosto, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), nesta sexta-feira. As projeções de analistas consultados pela Reuters variavam de alta de 0,09 a 0,36%, com mediana em 0,26%.

– Os preços agrícolas e industriais continuaram a acelerar, mas dentro do previsto após a primeira prévia do IGP-M, enquanto os preços ao consumidor e na construção civil se mantiveram controladas – resumiu o economista-chefe da corretora Ativa, Arthur Carvalho Filho.

O Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou alta de 0,46%, ante recuo de 1,04% em agosto. O IPA agrícola teve alta de 0,52%, revertendo o declínio de 2,44% de um mês antes. Parte dessa aceleração foi creditada ao subgrupo alimentos in natura, que reverteu a deflação de 2,09% em agosto para uma inflação de 6,38% este mês.

O IPA industrial também inverteu o movimento e aumentou 0,44% em setembro, após recuo de 0,57% no mês passado. As principais influências positivas individuais para a alta no IPA vieram do tomate, açúcar cristal, óleo combustível, mamão e laranja. Ajudaram a atenuar a alta, as quedas nos preços dos bovinos, milho (grão), leite industrializado, adubos e fertilizantes compostos e aves.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou 0,24%, ante alta de 0,26% no mês anterior. Alimentação subiu 0,62%, habitação avançou 0,29%, despesas diversas tiveram elevação de 0,22% e transportes subiram 0,11%, enquanto vestuário recuou 0,80%, saúde e cuidados pessoais caiu 0,02% e educação, leitura e recreação cedeu 0,10%.

As maiores contribuições individuais para a alta vieram do tomate, limão, mamão papaya, gás de bujão e pimentão, enquanto os principais componentes baixistas foram leite longa vida, batata-inglesa, melancia, melão e frango inteiro. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou deflação de 0,11% em setembro, ante elevação de 0,22% em agosto, com os preços de mão-de-obra quase estáveis, com leve alta de 0,03%, enquanto os materiais, equipamentos e serviços caíram 0,25%.

No ano, o IGP-10 acumula queda de 1,79% e nos 12 meses até setembro tem declínio de 0,27%. Na visão do economista-sênior do BES Investimentos, Flávio Serrano, cenário de inflação continua benigno no curto prazo no geral.

– Esperamos que o ciclo de deflação tenha acabado, mas as taxas ainda podem ficar baixas alguns meses (abaixo de 0,30%), apesar da tendência de recuperação no médio prazo – disse.

Carvalho Filho, da Ativa, também acredita que os IGPs devem permanecer positivos, com as taxas “provavelmente” mais altas.