Iêmen: hospital é destruído por bombardeios liderados por sauditas, diz MSF

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Publicado terça-feira, 27 de outubro de 2015 as 10:24, por: cdb

Por Redação, com Reuters – de Dubai:

Um hospital iemenita dirigido pelo grupo de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi atingido por um ataque aéreo liderado pela Arábia Saudita, disse o grupo nesta terça-feira, no mais recente atentado contra um alvo civil em sete meses de campanha de bombardeios no Iêmen.

– A instalação de MSF em Saada, no Iêmen, foi atingida por vários ataques aéreos na noite passada, quando havia pacientes e funcionários no local – disse o grupo em um tuíte nesta terça-feira.

Armazém destruído por ataques aéreos sauditas em Sanaa, no IêmenArmazém destruído por ataques aéreos sauditas em Sanaa, no Iêmen
Armazém destruído por ataques aéreos sauditas em Sanaa, no Iêmen

Segundo a agência de notícias estatal iemenita Saba, administrada pelos houthis, grupo aliado do Irã que vem sendo alvo dos ataques da coalizão, o diretor do Hospital Heedan informou que várias pessoas ficaram feridas no bombardeio.

– Os ataques aéreos causaram a destruição de todo o hospital, com tudo o que estava lá dentro, equipamentos e suprimentos médicos, e ferimentos moderados em várias pessoas – disse o dr. Ali Mughli.

Saba afirmou que outros bombardeios atingiram uma escola para meninas nas proximidades e danificaram várias casas de civis.

Não foi possível confirmar imediatamente a informação, e um porta-voz da coalizão não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.

A Arábia Saudita e outros países árabes do Golfo Pérsico intervieram na guerra civil no Iêmen no final de março para reconduzir ao poder o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, mas após sete meses de bombardeios os houthis ainda controlam a capital, Sanaa.

Grupos de defesa dos direitos humanos têm manifestado preocupação com o crescente número de mortes causadas ​​pelo bombardeio e combates terrestres nesse país pobre.

Mais de 5,6 mil pessoas morreram no conflito e o enviado pela Organização das Nações Unidas para buscar uma saída pela diplomacia ainda não conseguiu uma solução política ou a desaceleração do ritmo dos combates.

É a segunda vez este mês que uma instalação do MSF é atingida em uma zona de guerra. Seu hospital na cidade afegã de Kunduz foi bombardeada pelas forças dos Estados Unidos em 3 de outubro, o que resultou na morte de cerca de 30 pessoas.

Hospital em Kunduz

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) atualizou no último domingo para 30 o número de mortos no bombardeio norte-americano ao hospital da organização em Kunduz, Norte do Afeganistão.

O hospital foi atacado por aviões dos Estados Unidos (EUA) no dia 3 de outubro. No momento, três investigações apuram a responsabilidade dos Estados Unidos, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e de autoridades afegãs no caso.

Em comunicado, os Médicos Sem Fronteiras dizem que o número de mortos continua aumentando. Das 30 pessoas mortas no bombardeio, 10 eram doentes, 13 funcionários e sete estão irreconhecíveis.

No sábado, a Otan afirmou que o seu relatório sobre as baixas civis é “confiável” e que a organização continua a trabalhar com o governo afegão para “identificar plenamente as vítimas”.

Contudo, os MSF têm pedido a realização de uma investigação independente, feita por uma comissão de inquérito internacional.

Os Estados Unidos já anunciaram que vão indenizar as vítimas do bombardeio e consideraram o ataque um “erro trágico”.

O ataque forçou o fechamento do centro hospitalar, que tinha grande importância nessa região do país assolada pelo conflito entre os talibãs e o governo afegão e com escassos recursos médicos.

O bombardeio ocorreu poucos dias após a conquista de Kunduz pelos rebeldes talibãs. Muitos habitantes ficaram feridos na contraofensiva do exército afegão, apoiada por aviões de combate dos EUA.

O presidente norte-americano, Barack Obama, apresentou desculpas ao MSF e admitiu que o ataque foi um erro.