Identificada em São Paulo ossada de Manoel Lisboa

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Publicado quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003 as 21:40, por: cdb

A Comissão de Familiares dos Presos e Desaparecidos Políticos pela Ditadura Militar enviou nesta quarta-feira um comunicado à imprensa informando a localização da ossada de Manoel Lisboa, assassinado pela Ditadura Militar em 1973.

Lisboa foi um dos fundadores do Partido Comunista Revolucionário (PCR) e foi morto pela equipe de Sérgio Paranhos Fleury, nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo.

Os restos mortais de Manoel foram indentificados em 10 de dezembro de 1991, durante o governo Erundina. Porém as ossadas de Lisboa continuavam no ossário do Cemitério de Campo Grande.

Leia o comunicado na íntegra

Na última semana foi confirmada a localização de mais uma ossada do dirigente de esquerda Manoel Lisboa de Moura, um dos fundadores do Partido Comunista Revolucionário (PCR), morto em 1973 pela equipe de Sérgio Paranhos Fleury, nas dependências do DOI-CODI em São Paulo.

Graças ao exaustivo e ininterrupto trabalho que vem sendo desenvolvido pela Comissão de Familiares dos Presos e Desparecidos Políticos na ditadura militar, representada nas figuras de Amélia Telles e Ivan Seixas, finalmente conseguiremos sepultar mais um de nossos heróis brutalmente assassinados na luta por uma sociedade mais justa, igual e fraterna. Embora identificada em 10 de dezembro de 1991, durante o governo Erundina, os restos mortais de Manoel Lisboa continuavam no ossário do Cemitério de Campo Grande.

Isto porque no processo de exumação e identificação de Manoel – na mesma ocasião em que ocorrera o de Emanuel Bezerra dos Santos, uma vez que ambos foram mortos e sepultados numa vala comum do Cemitério de Campo Grande, em São Paulo -, seu irmão negou-se terminantemente – e em nome da família – a receber os restos.

Segundo Amélia Telles, que fez o contato com o irmão de Manoel Lisboa, este respondeu rispidamente que não havia qualquer interesse em reaver a ossada do irmão. Na impossibilidade de realizar o sepultamento – direito restrito à família – amigos e representantes de entidades de defesa dos direitos humanos depositaram os restos mortais do companheiro Lisboa no Ossário Geral do Cemitério de Campo Grande, zona sul de São Paulo.

Passados doze anos, familiares e militantes reativaram o contato com a Comissão de Familiares para resgatar os restos do militante alagoano, uma vez que desconheciam o contato havido em 1991 com um dos membros da família, o capitão do exército e irmão de Manoel.

Agora, parentes e amigos se mobilizam para trasladar a ossada do militante e fundador do PCR. Assim como a cerimônia de Emanuel Bezerra dos Santos, à altura de um herói brasileiro, amigos, parentes e militantes esperam contar com o apoio do poder público para a realização de atos solenes em São Paulo, Recife e Maceió.

Em Recife, o prefeito petista João Paulo colocou-se à disposição para ajudar e acompanhar a realização da solenidade que está sendo organizada na cidade. Em Maceió, também o governador Ronaldo Lessa disse que estará recepcionando oficialmente a ossada de Manoel Lisboa e acompanhar a cerimônia de sepultamento.

Para familiares e militantes a ação do poder público para com a memória de Manoel Lisboa comprova, para além de um gesto humanitário, a defesa intransigente do resgate de nossa história, da busca por justiça e mais um passo importante para a consolidação de nossa democracia.

Apesar de não haver uma data fechada para a solenidade em São Paulo, a data indicativa é que seja na segunda quinzena de março e está sendo acertada pelos representantes da Comissão com a Prefeitura e representantes dos governos estadual e federal.

Manoel Lisboa de Moura

Militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR) – organização que fundou em dezembro de 1966, junto com Amaro Luiz de Carvalho, Ricardo Zarattini Filho e outros militantes de esquerda -, o alagoano Manoel Lisboa de Moura nasceu em 21 de fevereiro de 1944.

Filho de Augusto de Moura Castro e Iracilda Lisboa de Moura, o estudante de Medicina na