HSBC sabia que Bamerindus sofreria intervenção do Banco Central

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Publicado quarta-feira, 12 de dezembro de 2001 as 02:24, por: cdb

Em depoimento à CPI do Proer, o presidente do HSBC Bank Brasil, Michael Geoghegan, revelou que a instituição foi avisada pelo Banco Central de que seria feita uma intervenção no Banco Bamerindus. Segundo Geoghegan, a informação foi dada no início de março de 1997 e, no final daquele mês, o BC optou pela intervenção na instituição que era controlada pelo ex-ministro e ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira. Com a intervenção, o HSBC pôde adquirir a chamada “parte boa” do Bamerindus.

Foi a partir da indicação do BC, de acordo com o presidente do HSBC, que a instituição decidiu enviar ao Brasil uma equipe de 38 executivos para tocar as negociações da aquisição do Bamerindus. Fato que, segundo Geoghegan, era de conhecimento de todos os envolvidos. A vinda dos técnicos dos HSBC, porém, escapou da atenção do ministro da Fazenda, Pedro Malan. “Não sabia disso”, afirmou o ministro em depoimento à comissão na semana passada.

Desde de 1995, os boatos de mercado indicavam que havia uma lista tríplice de bancos brasileiros que enfrentavam dificuldades. Eram eles o Nacional, o Econômico e o Bamerindus. Depois da intervenção do BC nos dois primeiros, a instituição de Andrade Vieira passou a ser a única da lista, e as dificuldades aumentaram. A idéia do BC foi passar o controle do banco a outra instituição, seguindo o mesmo formato já dado ao Nacional e Econômico. Ou seja, fazendo mais uma operação do Proer.

Como o HSBC tinha 6,14% de ações do Bamerindus, o BC tentou primeiro que o banco inglês aumentasse sua participação na instituição brasileira. O que foi recusado. Geoghegan também revelou que, por ocasião da aquisição das ações, em 1995, a idéia do HSBC era fazer um investimento de longo prazo. Mas descobriu que as informações prestadas pelo conselho do Bamerindus sobre a situação do banco na época não foram fiéis.

O HSBC pagou US$ 61 milhões pelas ações e assegura não ter conhecimento do destino dado ao dinheiro, que deveria capitalizar o Bamerindus. Hoje o HSBC tem ativos de R$ 25 milhões no Brasil e, na avaliação de Geoghegan, ajudou a aumentar a concorrência no sistema financeiro do País.