Hospital do Rio atende 12 feridos por tiros entre PMs e traficantes

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Publicado segunda-feira, 7 de maio de 2007 as 20:58, por: cdb

O Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, passou, no domingo, por uma “situação parecida com a de uma guerra”, segundo o superintendente de Serviços de Saúde, Mário Bueno. Doze pessoas feridas a balas na operação policial do Complexo do Alemão, chegaram à unidade, em menos de uma hora, sobrecarregando o setor de emergência.

– A gente trabalha com número de profissionais que supre a necessidade histórica do hospital, tanto de trauma quanto de outras urgências, mas com essa quantidade de pacientes a possibilidade de esgotamento da capacidade de atendimento imediato é muito grande, já que essa é uma situação de guerra -, afirmou.

Há seis dias, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, ocupam a comunidade, no Complexo do Alemão, Zona Norte da cidade, em operação contra o tráfico de drogas. Com os tiroteios realizados entre os homens do Bope e os traficantes, foram registradas mais de 30 vítimas, das quais quatro morreram, entre elas um policial.

O superintendente informou que o problema da superlotação foi resolvido com a transferência de alguns pacientes com ferimentos de menor gravidade para unidades próximas. De acordo ele, há um plano da Secretaria de Saúde para as situações de extrema emergência.

– Nós não trabalhamos com previsão de catástrofe, mas com plano de contingência para essa situação. Fazemos o redirecionamento de pacientes pelos serviços pré-hospitalares, o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] e o GSE [Grupamento de Socorro de Emergência dos Bombeiros], o desvio de recursos materiais entre as unidades e até de profissionais para complementar a equipe -, explicou Bueno.

De acordo com o superintendente, o aumento do número de feridos a bala no Rio de Janeiro tem preocupado a Secretaria de Saúde, que está aperfeiçoando as unidades de emergência do estado especializadas em trauma, como os hospitais Getúlio Vargas, de Saracuruna e o Rocha Faria.

– Com o aumento da criminalidade, a freqüência de feridos a balas no Rio é maior, e os hospitais e atendimentos pré-hospitalares estão tendo que aprender a lidar com isso. Para isso, estamos fazendo o aprimoramento de aporte de insumos, equipamentos, do quantitativo de recursos humanos e leitos de resguarda para feridos nos hospitais de emergência e trauma -, disse.