Hospitais de Pequim não conseguem atender todos os casos de Sars

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Publicado quarta-feira, 30 de abril de 2003 as 08:42, por: cdb

Os hospitais de Pequim estão sem condições de atender o grande número de pacientes com a pneumonia também chamada de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês), segundo o prefeito interino da cidade, Wang Qishan.

Ele disse que não há leitos suficientes nas unidades destacadas para o tratamento da doença.

“Devido à escassez de leitos nos hospitais designados (para tratar dos casos da doença), nem todos os pacientes sob suspeita de estarem com Sars são hospitalizados no momento adequado”, disse Wang em nota oficial.

Mas ele não esclareceu o que estava acontecendo com os doentes que não podiam ser tratados nos hospitais.

Toronto

Pequim tem atualmente 1.347 casos de Sars e a China é o país mais afetado pela doença, segundo funcionários do governo chinês.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou as restrições a viagens a Toronto, no Canadá. Foram registrados 21 mortes por causa da doença no Canadá.

No entanto, a OMS manteve o alerta para que as pessoas evitem viajar para China e Hong Kong.

A China registrou 3.303 casos de Sars, dos quais 148 resultaram em morte e em 1.322 deles, as pessoas já se recuperaram.

Em Hong Kong, o número de mortes é maior, chegando a 150 de um total de 1.572 casos. Desses, 759 pacientes já se recuperaram.

Gravidade

O número de novos casos parecem estar diminuindo em Hong Kong e em outros países afetados, mas ainda estão aumentando na China.

“A situação em Pequim permanece difícil em termos de prevenção e tratamento da Sars. As infecções não foram interrompidas”, disse Wang na nota.

“O número de casos de Sars confirmados e sob suspeita ainda são elevados”.

Wang foi indicado para o cargo na semana passada, depois que seu antecessor foi demitido por ter administrado mal a epidemia.

O novo prefeito informou que 21 hospitais de Pequim foram designados para tratar da Sars, mas reconheceu que esse total pode não ser suficiente.

Segundo especialistas, essa situação pode ser fundamental para conter a epidemia, pois pôr pacientes em quarentena, longe do contato com a população em geral parece ter sido decisivo para o sucesso do Vietnã, único país a ter controlado a doença.

‘Inadequada’

A China foi severamente criticada pela OMS por sua reação inicial ao surgimento da Sars.

Acredita-se que o vírus surgiu na província de Guangdong, no sul da China, perto de Hong Kong. Mas funcionários do governo chinês esconderam asituação e seu impacto até que a Sars se tornou um problema internacional.

Na terça-feira, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que a Sars era um problema grave e de longo prazo, e que a resposta inicial da China tinha sido “inadequada”.

Também na terça, líderes da Ásia aprovaram medidas conjuntas para tentar controlar a doença – incluindo exame de todos os viajantes, isolamento dos pacientes e troca de informações.