Horário de verão reduziu em 4,4% demanda de energia

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Publicado sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010 as 13:27, por: cdb

O Horário de Verão termina à zero hora deste domingo. Por isso, às 24 horas deste sábado, os relógios deverão ser atrasados em uma hora.

A medida, que começou à zero hora de 18 de outubro passado, abrangeu os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. Os Estados do Nordeste não foram incluídos, juntamente com os do Norte, porque o Ministério de Minas e Energia (MME) avaliou que os benefícios seriam inferiores para essas regiões.

No total, esta edição do Horário de Verão contou com 126 dias de duração, 7 a mais do que na versão passada. Desde o ano passado, foram fixadas datas para seu início e término: ficou definido que, todos os anos, a medida entrará em vigor sempre à zero hora do terceiro domingo de outubro e se estenderá ao terceiro domingo de fevereiro. No ano em que houver coincidência entre o domingo previsto para o término do Horário de Verão e o domingo de carnaval, o encerramento ocorrerá no domingo seguinte.

A expectativa de economia de energia nas regiões do país onde o Horário de Verão foi adotado, de acordo com avaliações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), é de 4,4% de redução na demanda. Em termos de demanda máxima, a redução deverá superar o valor de 2.270 MW, o que equivale a, aproximadamente, 30% da carga no horário de ponta da cidade de Belo Horizonte.

Já a expectativa da redução da carga de energia é de 191 MWméd, correspondentes a 0,5% da carga dos subsistemas Sul/Sudeste/Centro-Oeste ou a 55 dias de consumo da cidade de Belo Horizonte.

A adoção do Horário de Verão visa à redução da demanda máxima do Sistema Interligado Nacional no período de ponta.

– Com isso, obtém-se o alívio do carregamento dos sistemas de geração, transmissão e distribuição, aumentando a segurança e a confiabilidade operativa, pois é reduzido o carregamento de todo o sistema elétrico nos momentos de pico, sendo melhoradas as condições de controle, principalmente em situações de emergências –, explica Wilson Lage.

Segundo o engenheiro, essa redução ocorre no período do ano em que o sistema é, de modo geral, submetido a condições operacionais mais críticas, reduzindo os riscos de desligamentos de linhas de transmissão, principalmente devido a descargas atmosféricas.

– Proporciona também melhores condições de suprimento, em termos de continuidade e qualidade de atendimento às diversas áreas dos sistemas.

Ainda como resultado do Horário de Verão, houve uma menor utilização da iluminação artificial, com redução do consumo de energia, principalmente nas classes de consumidores residenciais e comerciais.

O Horário de Verão provoca o adiantamento do horário civil em relação ao horário padrão, tardando a ligação da iluminação artificial, que é acionada mais tarde do que aconteceria normalmente. O efeito provocado é a não coincidência da entrada desse tipo de iluminação com o consumo demandado ao longo do dia pelo comércio e pela indústria, cujo montante se reduz após as 18 horas, e com outros tipos de consumo nas residências, cuja carga aumenta significativamente nesse horário, motivados principalmente pelo uso de chuveiro elétrico.

Nos últimos dez anos, segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção do horário de verão possibilitou uma redução média de 4,7% na demanda de energia no horário de maior consumo, chamado horário de “pico”, que ocorre entre 18h e 21h.

Essa redução significa que as usinas deixaram de gerar, no horário de pico da carga, cerca de 2.000 MW (megawatts) a cada ano ou 65% da demanda do Rio de Janeiro, ou ainda 85% da demanda de Curitiba.