Homenagem aos 80 anos de Dona Ivone Lara: E a mulher recriou o samba

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Publicado terça-feira, 7 de agosto de 2001 as 22:17, por: cdb

“Mas porque será que eu coloquei esses sapatos”, ironiza Dona Ivone Lara, magestosamente em seu vestido encorpado, tirando os sapatos apertados para se render aos chamados da cadência. Para ilustrar estas palavras, escritas em 1940 por Dorival Caymmi, em seu clássico “Samba da minha terra”: “quem não gosta do samba, não é um bom sujeito”.” É ruim da cabeça, ou doente do pé.”

Ícone sambista, rara mulher compositora, celebra sobre o palco do Teatro Rival, no Rio de Janeiro, seus 80 anos de idade e seu novo (e sétimo) disco, “Nasci para sonhar e cantar”, diante uma platéia de “gente do meio” e outros apaixonados do gênero. Como Beth Carvalho, passionaria do samba pagode, corrente surgida no fim dos anos 70, Elton Medeiros, ativista do samba, parceiro dos grandes Nelson Sargento e Paulinho da Viola, ou a nova diva da MPB Marisa Monte. Seus sucessos são repetidos de cor: “Os cinco bailes da história do Rio”, primeiro samba enredo escrito por uma mulher, em 1965, “Sonho Meu”, escrito com o fiel parceiro Delcio Carvalho e gravado por Maria Bethânia e Gal costa, “Tendência”, sucesso de 1981, ou “Tiê Tiê”, composto há 12 anos, em homenagem a um pássaro recebido de presente, hoje no repertório como um cri-cri inseparável.