Homem com falsa bomba invade agência de notícias na China

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 09:06, por: cdb

A polícia da China deteve nesta quarta-feira um homem que invadiu o escritório da agência de notícias Reuters em Pequim, alegando ter uma bomba em seu poder, informaram autoridades.
Mas a bomba era falsa, de acordo com a agência de notícias estatal Xinhua (Nova China).

O suspeito, identificado como Fang Qinghui, manteve os jornalistas reféns por duas horas. Ele levava uma bolsa em torno do pescoço, da qual saíam fios.

Fang entrou na redação por volta das 10h30 (hora local) e gritou: “Ninguém se mexa, ninguém se mexa”, segundo a Reuters.
Jornalistas da agência, cujo escritório fica no sexto andar de um prédio comercial, relataram à CNN que o homem exigia ser entrevistado para televisão.

Ele lhes contou ter nascido em 1968, na província chinesa de Heilong Jiang e queria se pronunciar sobre a “corrupção no governo chinês”.
Mas um correspondente conversou com o invasor, em chinês, por cerca de 20 minutos. O jornalista percebeu certa incoerência no discurso de seu raptor e tentou lhe explicar que a Reuters não tinha como ajudá-lo.

“Os líderes deveriam respeitar, proteger e amar os trabalhadores”, afirmou Fang, enquanto segurava o que parecia ser um botão vermelho preso aos fios saindo da bolsa.

“Quero que todo o mundo saiba o quanto a China é suja, o quanto é corrupta”, declarou posteriormente à Polícia, durante negociações realizadas por telefone.

A Polícia chegou ao local rapidamente, esvaziando o resto do prédio e isolando a área.

Os jornalistas informaram que, na maior parte do tempo, Fang discursou contra o governo, mas também reclamou que tinha sido erroneamente diagnosticado como esquizofrênico, e não tinha ninguém com quem conversar.

Fang afirmou que tinha trabalhado numa fábrica estatal, da qual foi demitido há cinco ou seis anos.

Em determinado momento, o invasor disse que amava sua mãe. Isso levou um dos jornalistas reféns a lhe pedir que libertasse três colegas “que eram mães”. Fang consentiu e, pouco depois, deixou os homens saírem também.