Hillary declara vitória e pede apoio de Sanders

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Publicado quarta-feira, 8 de junho de 2016 as 10:02, por: cdb

Após vencer as primárias em três estados, ex-secretária de Estado clama momento histórico e defende país “tolerante, inclusivo e justo”. Mesmo quase sem chances, rival democrata garante que continuará na disputa

Por Redação, com Reuters – de Washington:

Hillary Clinton comemorou o fato de se tornar a primeira mulher a se lançar como candidata presidencial de um grande partido político nos Estados Unidos, conquistando vitórias importantes nas primárias da Califórnia e de Nova Jersey que cimentaram sua indicação à corrida pela Casa Branca.

Hillary durante discurso em Nova York: "É a primeira vez na história de nossa nação que uma mulher será a candidata"
Hillary durante discurso em Nova York: “É a primeira vez na história de nossa nação que uma mulher será a candidata”

A ex-primeira-dama, ex-senadora de Nova York e ex-secretária de Estado norte-americana discursou a seus apoiadores em um evento animado no Brooklyn, em Nova York, e posicionou sua conquista no contexto do longo histórico do movimento de direitos das mulheres.

– Graças a vocês, atingimos um marco – disse Hillary no discurso. “Todos nós devemos muitos aos que nos antecederam”.

Hillary, de 68 anos, fez um apelo aos apoiadores de seu rival nas prévias partidárias Bernie Sanders, de 74 anos, para que se juntem à sua campanha. Ela disse que os democratas foram fortalecidos pela plataforma de Sanders de erradicação da desigualdade de renda, que atraiu grandes plateias e eletrizou o eleitorado jovem. Ainda relutando em reconhecer a derrota, Sanders prometeu continuar na luta.

Mas Hillary atacou com contundência Donald Trump, de 69 anos, seu provável adversário republicano na eleição presidencial de 8 de novembro, por usar uma retórica agressiva que diminui a importância de mulheres, muçulmanos e imigrantes. Ela mirou especificamente seu repúdio a um juiz de ascendência mexicana nascido no Estado norte-americano de Indiana.

– As apostas desta eleição são altas, e a escolha é clara. Donald Trump tem um temperamento inadequado para ser presidente e comandante-em-chefe – disse Hillary.

– Quando Donald Trump diz que um juiz destacado nascido em Indiana é incapaz de fazer seu trabalho por causa de sua herança mexicana, ou debocha de um repórter com deficiência, ou chama as mulheres de porcas, isso vai de encontro a tudo que defendemos – afirmou.

Uma pesquisa de intenção de voto Reuters/Ipsos divulgada na terça-feira mostrou Hillary com 10 pontos percentuais de vantagem sobre Trump nacionalmente, no momento em que ambos se lançam na batalha da eleição geral de novembro, uma pequena alteração em relação à semana anterior.

O presidente dos EUA, Barack Obama, ligou para Hillary e Sanders na terça-feira. A Casa Branca disse que ele parabenizou Hillary por alcançar o número de delegados necessários para conquistar a indicação do partido e que irá se encontrar com Sanders nesta quinta-feira a pedido do senador de Vermont.

O êxito de Hillary na Califórnia veio na sequência de uma vitória decisiva em Nova Jersey e conquistas mais apertadas no Novo México e em Dakota do Sul nas primárias de terça-feira. Sanders venceu em Montana e Dakota do Norte.

Atacado por republicanos

Cedendo a pressões de partidários republicanos, Donald Trump disse na terça-feira que não falaria mais sobre um juiz mexicano-americano, depois que o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, chamou a crítica do candidato presidencial ao jurista de racismo de manual.

No entanto, Trump recusou os apelos de líderes do partido para se distanciar da sua acusação de que o juiz Gonzalo Curiel estava sendo parcial por causa das suas origens mexicanas e deveria se retirar de um processo sobre fraude envolvendo a já extinta Universidade Trump.

Num longo comunicado, Trump afirmou que os seus comentários anteriores sobre Curiel haviam sido mal interpretados.

– Eu não acho que as origens de uma pessoa a torna incapaz de ser imparcial, mas, com base nas decisões que tenho tido no caso civil da Universidade Trump, eu acho justificado questionar se eu estou tendo um julgamento justo – disse o escolhido em potencial para ser o candidato republicano a presidente.

Ele acrescentou: “Esse processo deveria ter sido rejeitado, mas ele está agora programado para julgamento em novembro. Eu não pretendo mais comentar sobre esse assunto”.

Trump tomou a iniciativa depois que Ryan, o republicano eleito com o principal posto no país, atacou os seus comentários, que ameaçavam atrapalhar os já difíceis esforços republicanos para unir o partido em torno do candidato.

– Eu lamento aqueles comentários que ele fez. Alegar que uma pessoa não pode realizar o seu trabalho por causa da sua raça é tipo a definição de manual de um comentário racista. Eu acho que isso deve ser absolutamente repudiado – disse Ryan à imprensa.

No entanto, ele, que endossou Trump na semana passada depois de dúvidas iniciais, disse que ainda apoiava a candidatura, afirmando que Trump é melhor opção que Hillary Clinton, a provável candidata a ser escolhida pelos democratas.

Nos bastidores, Trump foi pressionado por amigos e familiares para recuar, temerosos dos danos que isso poderia acarretar para as suas chances nas eleições de 8 de novembro, disse uma fonte próxima à campanha.