Herói soviético é condenado por terrorismo

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Publicado segunda-feira, 27 de setembro de 2004 as 17:37, por: cdb

Um ex-soldado soviético no Afeganistão considerado morto pelo Exército Vermelho e condecorado com a ordem de herói da extinta URSS, esteve na realidade preso no Paquistão, convertendo-se depois ao Islã e passando a integrar um grupo islamita uzbeque. Ele foi condenado hoje, em Tashkent, a 18 anos de prisão por terrorismo.

Kosimyon Ermatov, um uzbeque de 38 anos, foi declarado culpado de terrorismo, de ameaça à Constituição, e de atividades mercenárias. Ele pertence ao Movimento Islâmico do Uzbequistão (MIO), uma organização radicada no Afeganistão.

“Ermatov (…) era um dirigente do MIO encarregado da logística e da busca de alojamento” para os membros do grupo, responsável por uma série de ataques cometidos entre 1999 e 2001 nesta ex-república soviética da Ásia Central, dirigida pelo presidente Islam Karimov, destacou o juiz Nizomyon Rustamov.

A história de Kosimyon Ermatov começou nas fileiras do Exército Vermelho que lutou no Afeganistão contra os mujahedines. Em 1986, as autoridades soviéticas anunciam a sua família que morreu em combate. Seus pais recebem um caixão que supostamente contém seus restos mortais e a condecoração.

Mas, em 1991, surgem informações de que está vivo, foi capturado pelas forças afegãs e está no Paquistão como prisioneiro de guerra. No ano seguinte é libertado depois de se negare a ser objeto de um intercâmbio de prisioneiros com Rússia e entra para uma escola islâmica, segundo o tribunal.

Ermatov regressa ao Afeganistão, onde se casa, tem cinco filhos e adota a nacionalidade afegã. Ali dá apoio logístico ao MIO, que pretende derrotar o presidente uzbeque Islam Karimov com os mortíferos ataques de 1999 a 2001. No final de 2003 é detido no Paquistão, com a colaboração das forças americanas e extraditado a o Uzbequistão.