Heloísa Helena quer um novo partido democrático

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 5 de janeiro de 2004 as 10:06, por: cdb

A senadora Heloísa Helena (sem partido) disse que participará de todos os debates com os demais deputados expulsos do PT, por divergirem da política econômica e social do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A saída dos parlamentares aconteceu depois que a cúpula petista ouviu o relatório da Comissão de Ética no qual a expulsão foi definida como irreversível. Especificamente em seu caso prevaleceram ainda dados sobre seu comportamento político no Estado. Por isso por várias vezes a senadora declarou publicamente que foi “traída” por petistas.

Mas ela considera essa uma página virada. À Gazeta de Alagoas Heloísa revelou que fica muito mais à vontade, agora, para falar sobre sua ideologia: o socialismo.

– Claro que agora o debate será em cima de programas e da construção de uma sociedade mais justa, fraterna e socialista. Além disso, que leve em conta o sofrimento das pessoas e não inclua acordos com o capital internacional, a exemplo do que fez o governo com os banqueiros internacionais – disse de maneira tranqüila.

  Para a senadora o novo partido tem que ser tão democrático como o PT foi, em sua origem.

– Um partido com estas características não nasce por decreto. Então imagino que nós agora devemos nos reunir para traçarmos alguns objetivos comuns e debater muito como ele será. Como nosso objetivo não é somente eleitoral, mas sim programático, andaremos bastante pelo País para ouvirmos todo mundo – explicou a senadora.

Desde que ainda era militante do PT, Heloísa já atuava numa corrente interna (Democracia Socialista). Do ponto de vista de linha teórico/programática e de concepção a tendência segue as idéias do revolucionário russo Leon Trotski. Mas hoje isso não é maioria. Ainda sim os seus militantes defende uma construção de sociedade fundamentada em idéias machistas (Karl Marx ) e leninista (Lênin).

Segundo a senadora, a DS como é mais conhecida, ainda recorreu da decisão da Comissão de Ética que só será analisada em 2005.

– Não falo mais em nome do PT, nem acredito que possa haver reviravolta. Por isso partirei para uma nova política partidária. Nunca tive deslumbramentos pelo poder. Pra mim o que vale mais é a capacidade de transformar – disse Heloísa.

A senadora não soube precisar quando começarão as movimentações para a construção da nova sigla, nem o nome que ela poderia ter. A única coisa que confirmou foi que em todo o país militantes históricos do PT também deixaram a sigla em solidariedade.