Hans Stern: vida dedicada ao brilho

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Publicado sábado, 26 de abril de 2003 as 14:29, por: cdb

A história da joalheria H. Stern tem prólogo na Alemanha nazista, primeiro ato no Rio de Janeiro e grand finale em mais de 170 filiais em 12 países.

Hans Stern deixou Essen, na região industrial do rio Ruhr, aos 16 anos de idade. Só com a ajuda de parentes, a família judaica conseguiu escapar em 1939 do furor assassino dos asseclas de Hitler. Na época era extremamente difícil conseguir um visto para o Brasil, mas felizmente um irmão da mãe de Hans era casado com uma brasileira, da família Burle Marx.

Para Stern tudo era aventura: a vida na praia, os bondes onde as pessoas viajavam penduradas, o cafezinho a cada dez minutos. De início, o jovem transformou seu hobby em profissão, indo trabalhar numa loja de filatelia. Logo mudou para uma firma que comprava pedras preciosas de garimpeiros, aprofundou-se no ramo da joalheria e tornou-se autônomo. Como capital inicial, os 200 dólares que arrecadara pelo acordeão trazido da Alemanha.

O comerciante aplicou uma idéia simples e – como ficou provado – altamente lucrativa. Estabelecer-se em locais onde as pessoas estão em clima de férias ou procuram suvenires. Pouco a pouco abriu lojas não apenas nas metrópoles brasileiras, mas por todo o mundo: em Frankfurt, Paris, Lisboa, na Fifth Avenue de Nova York ou em Telavive, o nome “H. Stern” é obrigatório em todo aeroporto ou hotel importante.

Negócios e paixão

Atualmente o império familiar inclui 170 filiais em 12 países, só sendo superado por Cartier e Tiffany. A central continua sendo no coração da ensolarada Ipanema. Mas, para além do êxito comercial, o octogenário manteve sua paixão pelas pedras e continua sendo um colecionador. Suas prediletas são as águas-marinhas, esmeraldas, diamantes e, sobretudo, as turmalinas. Existem centenas de nuances de cor, e ele as coleciona todas.

Seu critério é a raridade: “Elas não têm que ser caras. Há muitas pedras raríssimas, porém relativamente baratas, pois não há demanda por elas, são justamente raras demais. De resto, interessa-me a cor, o brilho das pedras, a beleza e o polimento”.

Apesar de já possuir a cidadania brasileira há muitos anos, Hans Stern ainda se considera alemão: “Sou as duas coisas. Estou sentado em duas cadeiras, por assim dizer”. Embora a condição de judeu haja sido a causa de sua fuga, há 64 anos, Stern não é religioso:
“Religião é para mim menos importante do que a cultura, o passado. O sentimento de pertencer a uma comunidade. Uma comunidade do sofrimento, digamos”.

Por mais que esteja satisfeito com a vida que leva na cidade que considera a mais bela do mundo, até hoje o próspero joalheiro sente às vezes falta de coisas que aprendeu em sua juventude na Alemanha: “Pontualidade e seriedade”.