Hamas adia reunião com Fatah sobre reconciliação palestina

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 8 de outubro de 2009 as 13:31, por: cdb

A facção islâmica Hamas pediu ao Egito que adie uma reunião com a rival Fatah em que os dois grupos palestinos deveriam assinar um acordo de reconciliação. O encontro estava previsto para os dias 24 a 26 no Cairo, culminando um ano de esforços diplomáticos de mediadores egípcios.

Uma fonte do Hamas disse que o grupo islâmico não iria à reunião por discordar da decisão tomada na sexta-feira passada pela Autoridade Palestina, dirigida pela Fatah, de apoiar o arquivamento de um relatório da ONU que apontou crimes de guerra cometidos por Israel e por militantes islâmicos no conflito de dezembro e janeiro últimos na Faixa de Gaza.

– O Hamas disse ao Egito que o choque popular causado pelo adiamento do relatório (…) foi um golpe para os esforços deles (egípcios) e sabotou a atmosfera desse evento –, disse a fonte.

Nesta quarta-feira, uma multidão em Gaza atirou sapatos contra um retrato do presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o chamaram de traidor. Mas seguidores da Fatah acusaram o Hamas de insuflar cinicamente o sentimento popular contra o seu rival.

Assessores de Abbas admitiram que o apoio ao arquivamento do relatório da ONU foi um erro diplomático, e a Fatah agora luta para corrigi-lo. Abbas prometeu se pronunciar à nação para explicar o que ocorreu, e fontes oficiais sugeriram que cabeças podem rolar.

Já o Hamas atravessa uma onda de popularidade depois de obter a libertação de 20 palestinas que estavam presas em Israel, na semana passada, em troca de entregar um vídeo comprovando que um soldado israelense sequestrado há três anos continua vivo.

Embora não houvesse expectativa de que a reunião no Cairo iria resolver imediatamente as divisões políticas, ela prenunciaria as medidas destinadas a restaurar a unidade entre a Fatah, que governa a Cisjordânia, e o Hamas, que controla Gaza.

– O problema não é o documento egípcio, o problema está na vergonhosa posição da Fatah acerca do relatório Goldstone –, disse Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, nesta quarta-feira.

Mohammed Dahlan, dirigente da Fatah, acusou o Hamas de explorar o caso do relatório para “destruir o sistema político palestino e destruir a legitimidade palestina por meio de ataques a Abu Mazen (pseudônimo de Abbas).”

– Nós, da Fatah, admitimos que adiar a votação (do relatório na ONU) foi um erro. Mas a questão é retificar isso, e não por meio de acusações de traição –, disse ele.

Abu Zuhri disse que as declarações de Dahlan provam que a culpa do adiamento na votação do relatório é inteiramente da Fatah. – Não chamamos isso de erro. Chamamos de absolvição deliberada da ocupação (israelense) dos crimes de guerra que eles cometeram –, disse.