Haiti promete radicalizar contra a violência

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Publicado quarta-feira, 6 de outubro de 2004 as 08:51, por: cdb

Autoridades haitianas prometeram uma resposta enérgica à matança de pelo menos 45 pessoas, incluindo vários policiais, em episódios de violência protagonizados por gangues criminosas. A polícia do Haiti e autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniram no final da noite desta terça-feira para delinear uma estratégia que ponha fim à escalada de violência, no momento em que a missão da ONU para estabilizar o país, chamada Minustah, luta para ir adiante.

– A polícia haitiana e a Minustah estão trabalhando juntas. As ações e operações serão decididas de forma conjunta de maneira que aqueles que decidem que o país não deverá avançar recebam uma resposta enérgica – disse à imprensa o ministro da Justiça, Bernard Gousse.

Vários policiais foram assassinados, incluindo dois que foram decapitados, durante os últimos dias, disseram autoridades. Elas responsabilizaram partidários do presidente deposto Jean-Bertrand Aristide pelas mortes e outros episódios de violência na capital do país.

O primeiro-ministro interino, Gerard Latortue, disse que grupos leais a Aristide adotaram a estratégia de matar policiais inspirados nas decapitações no Iraque. Mas eles negam as acusações.

Depois das decapitações, a polícia realizou uma ofensiva nas bases dos seguidores de Aristide nos bairros pobres de Bel-Air, Martissant e Fort-Tout-Rond em Porto Príncipe, matando pelo menos 15 pessoas.

No bairro mais pobre da capital, Cite Soleil, o prefeito disse a uma rádio que mais de 30 pessoas foram mortas nos últimos dias. Aristide, acusado por oponentes de corrupção e despotismo, deixou o Haiti em 29 de fevereiro em meio a uma revolta armada, pressionado pela França e pelos Estados Unidos para deixar o cargo. Atualmente vive no exílio na África do Sul.
Em junho, uma força de paz da ONU liderada pelo Brasil e com 3.000 homens assumiu a difícil tarefa de estabilizar o Haiti.