Habeas corpus libera acusado de tráfico de órgãos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 6 de dezembro de 2003 as 14:23, por: cdb

Foi liberado na madrugada deste sábado, por força de habeas corpus, Celso Jarbas Calumby, uma das 11 pessoas suspeitas de envolvimento com o tráfico internacional de órgãos humanos presas na terça-feira, de forma temporária, por determinação da juíza da 13. Vara Federal Amanda Torres de Lucena. Celso é representante comercial da área de medicamentos.

A expectativa é de que pelo menos outros três fossem liberados assim que terminasse o prazo da prisão temporária, à meia-noite de ontem, enquanto o restante deveria ser mantido na prisão por meio da prorrogação da temporária por mais cinco dias. Os três seriam J.C.R., G.L.R.O e V.V , acusados pela venda de um rim. A medida poderia estimular outras pessoas que foram aliciadas a fazer comércio com o seu rim a ajudar espontaneamente nas investigações policiais sem o medo de ficar preso.

Caso a juíza decidisse prorrogar a prisão temporária dos outros, continuariam em cárcere o oficial da reserva do Exército israelense Gady Tamber Gedalya e o capitão aposentado da Polícia Militar de Pernambuco I.B.S.- apontados como líderes da quadrilha -; um outro israelense, da área médica, Eliezer Ramon, que nega vinculação com o caso e diz ter sido envolvido por ser amigo do oficial israelense; a advogada Terezinha Medeiros, namorada de Gedalya, suspeita de ser a tesoureira do grupo, já que abriu uma conta no Citibank para movimentação do dinheiro do namorado; a mulher do capitão da reserva E.S.; a corretora Fernanda Calado, acusada de captar candidatos dispostos a vender o rim; e M.S.J., funcionário de uma agência de viagens que emitiria os bilhetes para os vendedores de rim irem a Durban, na África do Sul, fazerem a cirurgia de retirada do órgão.

A Polícia Federal estaria investigando a participação de um médico e de um outro oficial da PM, da ativa, na rede que teria realizado a transação de pelo menos 30 rins. O grupo aliciava pessoas pobres na região metropolitana – a exemplo dos bairros de Jardim São Paulo e Areias, zona norte do Recife – que eram enviadas a Durban, na África do Sul, depois de passarem por exames médicos que atestassem boa condição de saúde e compatibilidade sanguínea.

Em Durban eles se submetiam a cirurgia para retirada de um rim, pelo que recebiam de US$ 6 mil a US$ 10 mil. O comércio de cada rim teria envolvido a quantia de US$ 150 mil, incluídos as comissões dos envolvidos e os gastos com exames médicos, passagens, hospedagem e cirurgia.