Há 50 anos

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Publicado segunda-feira, 27 de setembro de 2004 as 09:44, por: cdb

Não é preciso fazer muito esforço para ver que a programação do Festival do Rio é um certo fiasco. Já foi dito aqui, inclusive. O que realmente vale no festival são as retrospectivas e restaurações. E a boa esse ano é Sérgio Leone e ficção científica. Nesse final de semana a coluna foi à sessão de O dia em que a Terra parou, clássico de Robert Wise. Em cópia nova, essa fantástica fábula é um marco absoluto na história do cinema. O leitor não deve perder as reprises no MAM.
 
Primeiro, o filme é de 1951, um ano depois de um certo Isaac Asimov publicar as três leis essenciais da robótica. Para lembrar, elas são: 

1ª lei: Um robô não pode fazer mal a um ser humano e nem, por inação, permitir que algum mal lhe aconteça.
2ª lei: Um robô deve obedecer às ordens dos seres humanos, exceto quando estas contrariarem a primeira lei.
3ª lei: Um robô deve proteger a sua integridade física, desde que com isto não contrarie as duas primeiras leis. 
 
E aí, voltemos para O dia em que a Terra parou. Lá vemos um alienígena descer de uma nave com um robô. Apesar de dizer que veio em paz, é ferido pela força policial. O Robô, Gork, rapidamente desintegra as armas. Paremos.
 
O que isso tem há ver com Asimov e as três leis? Tudo. O alienígena tinha a forma de um ser humano (o que não descarta a possibilidade de ser um homem do futuro, em uma missão de evitar um desastre qualquer). E aí é só encaixar as peças.
 
Segunda dica fundamental: um representante do presidente dos EUA fala para o alienígena que seria impossível juntar todos os representantes do mundo em uma mesa (naqueles tempos a alegação era a Guerra Fria).
 
Terceira dica fundamental: a mensagem era simples e previsível: deixemas armas e se unam aos amigos robôs (Asimov).
 
E, mais uma boa tirada: o alienígena queria falar para todos os representantes do planeta, nada de Nações Unidas. Juntem as peças, programa imperdível, e só passou na segunda no Odeon e no MAM.