Guiana quer receber dinheiro para preservar Floresta Amazônica

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Publicado terça-feira, 22 de setembro de 2009 as 13:10, por: cdb

O presidente Bharrat Jagdeo quer transformar a Guiana em um dos países ambientalmente mais progressistas do mundo ao preservar vastas extensões da sua floresta tropical – desde que as nações ricas paguem por isso.

Jagdeo disse que, como parte da prevenção à mudança climática, poderia determinar a manutenção de cerca de 150 mil km² – aproximadamente a área do Ceará – de matas ainda quase intactas no pequeno país ao norte do Brasil, mediante o recebimento de uma quantia anual de até US$ 580 milhões.

– Podemos gerar dinheiro com a preservação das florestas, podemos usar esses recursos para investir em oportunidades de baixo (grau de emissões de) carbono, e podemos usar parte desse dinheiro para tornar nossa economia resistente à (mudança) climática –, disse Jagdeo, que participa da cúpula climática na sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ele lembrou que a destruição das florestas tropicais provoca mais emissões de dióxido de carbono do que todas as emissões de carros, caminhões, aviões e trens do mundo.

A Guiana tem menos de 1 milhão de habitantes, dos quais 90% vivem no litoral. Jagdeo disse que o governo terá de construir muros para proteger essa área mais habitada da elevação do nível do mar, um dos efeitos mais notáveis do aquecimento global.

Na opinião dele, o modelo guianense de preservação poderia ser copiado por outros países e incorporado ao acordo climático que deve ser aprovado em dezembro em uma reunião da ONU em Copenhague, na Dinamarca.

– Até Copenhague, podemos mostrar um verdadeiro modelo de país em funcionamento que trate de todas as questões que nos deparamos nas negociações –, afirmou.

Mas o maior entrave ao modelo proposto por ele, segundo Jagdeo, é convencer os países ricos de que o dinheiro será usado de modo transparente, e persuadir os governos dos países pobres a abrirem mão da sua soberania quando decidirem reservar enormes áreas para a conservação.

O Brasil, que tem a maior floresta tropical das Américas, tradicionalmente é muito sensível a violações da sua soberania sobre a Amazônia, e resiste à adoção de regras externas relativas à preservação.

Os 190 países que participam das negociações para a reunião de Copenhague ainda precisam definir os graus de redução das emissões de gases do efeito estufa a serem cumpridos até 2020 por países ricos e pobres, além de formas de financiamento e transferência de tecnologia para combater o aquecimento e adaptar o mundo às mudanças climáticas, o que talvez exija um gasto de até 100 bilhões de dólares por ano.