Guerrilha colombiana rejeita proposta de paz do governo

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Publicado domingo, 12 de setembro de 2004 as 13:57, por: cdb

A segunda maior força guerrilheira da Colômbia rejeitou uma iniciativa de paz do governo do presidente Alvaro Uribe, que incluía a interrupção unilateral das hostilidades e a suspensão de sequestros, mas deixou aberta uma saída negociada para o conflito interno no país.

A negativa do Exército de Libertação Nacional (ELN), que tem cerca de cinco mil combatentes, é um revés na intenção do governo de estabelecer um diálogo de paz com a guerrilha para acabar com o violento conflito de quatro décadas no país, que deixa milhares de mortos por ano.

O governo de Uribe anunciou no final de maio sua disposição de iniciar um diálogo de paz com o ELN, com ajuda do México, que aceitou e incentivou a aproximação das duas partes.

Mas a guerrilha, que se caracterizou por ataques contra a infra-estrutura petrolífera e energética do país e que no final dos ano 1990 realizou seqüestros cinematográficos para pressionar o governo a dialogar, criticou e questionou a proposta de paz de Uribe.

“Não responder às propostas do interlocutor ou esquivar-se delas pode nos conduzir a um diálogo de surdos, nada produtivo no propósito de construir confiança, pois se evidencia que estamos falando idiomas distintos. Avançamos um pouco, pelo menos nos demos conta que estamos nos falando, mesmo que não nos entendamos”, disse o ELN.

“De toda a maneira, ainda que a resposta governamental seja lenta, valorizamos como um sinal positivo a disposição ao diálogo”, afirmou o texto divulgado neste domingo.

O governo propôs que o ELN declare um cessar-fogo e em troca as Forças Armadas suspenderiam as ações ofensivas contra o grupo. O governo também pediu a libertação de todos os sequestrados e o fim dos sequestros de civis. Por seu lado, o governo libertaria os combatentes do ELN processados ou condenados por rebelião.

O grupo rebelde disse que as causas do confronto têm profundas raízes sociais, como a pobreza e o desemprego, que devem ser debatidas para que se encontre uma solução para a guerra.

O ELN propôs o debate de um acordo humanitário para limitar o uso de minas terrestres e artefatos explosivos e uma anistia geral para presos políticos, além de um cessar-fogo bilateral temporário.