Guerra chega ao aeroporto de Bagdá

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Publicado quinta-feira, 3 de abril de 2003 as 17:53, por: cdb

A guerra lançada há duas semanas pelos Estados Unidos contra o Iraque chegou, nesta quinta-feira, ao Aeroporto Internacional Saddam, a 19 quilômetros do centro de Bagdá, informaram agências de notícias internacionais.

Jornalistas que estão na periferia da capital iraquiana relataram ter ouvido aviões norte-americanos bombardearem inúmeros alvos ao redor do aeroporto, enquanto divisões de blindados lançavam, por terra, um ataque ao complexo.

A agência Reuters relatou que dezenas de iraquianos, entre militares e civis, morreram em um vilarejo atingido pelo bombardeio, entre o aeroporto e a capital. Também foram ouvidos estrondos de bombas e de artilharia antiaérea em partes a sudoeste de Bagdá, perto do aeroporto.

Horas antes da investida contra o aeroporto, autoridades norte-americanas revelaram que os iraquianos haviam posicionado elementos de quatro divisões regulares de seu Exército nas proximidades do Aeroporto Internacional Saddam, como parte de um esforço final para defender Bagdá.

Ao mesmo tempo, surgiram notícias de que as tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos encontravam-se a entre 10 e 20 quilômetros da capital iraquiana.

Ainda não está claro quantos soldados iraquianos integram o que parece ser um “cordão de isolamento” de Bagdá, descrito pelas fontes de Washington como um “segundo anel” de tropas regulares no entorno da cidade.

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, informou que as tropas aliadas deslocavam-se em direção ao aeroporto, que é considerado um “alvo crucial”.

Já o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, anunciou que as tropas da coalizão conquistaram inúmeras “posições afastadas” do centro de Bagdá nesta quinta-feira.

“As forças da coalizão impuseram tanta pressão sobre as unidades da Guerra Republicana ao redor da capital que o Iraque foi obrigado a preencher suas defesas com unidades regulares do Exército – forças que eles, historicamente, consideram menos confiáveis”, disse o secretário.

“Este é um sinal de que eles sabem que estão em dificuldades”, concluiu.

A maior resistência de Saddam encontra-se justamente nos acessos à área central da capital: forças especiais da Guarda Republicana e homens dos serviços de segurança estão posicionados por toda Bagdá.

Deste grupo fazem parte homens considerados bem mais treinados e melhor equipados do que as forças regulares que patrulham, por exemplo, os arredores do aeroporto internacional.

As autoridades militares norte-americanas vêm, desde quarta-feira, enfatizando que a coalizão aproxima-se da etapa mais perigosa da guerra iniciada há duas semanas: o ponto da virada, quando o regime iraquiano perceber que estará prestes a perder o poder.

As fontes disseram dispor de “informações recentes” confirmando um risco “alto” de o Iraque usar armas químicas contra as tropas anglo-americanas. Também há dados do serviço secreto indicando que o governo de Saddam Hussein pode começar a atacar áreas civis de Bagdá, matar pessoas e culpar os Estados Unidos.

“Eles já mataram mulheres e crianças, civis inocentes, e depois colocaram a culpa em nós”, declarou Rumsfeld, em entrevista coletiva no Pentágono. “Eles fazem isso”.