Guerra às drogas em debate na Cimeira das Américas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 8 de abril de 2012 as 11:50, por: cdb

No próximo fim de semana, os chefes de Estado americanos estarão reunidos na Colômbia. Pela primeira vez em 40 anos, o falhanço da “guerra às drogas” deverá ser um dos temas levantados na reunião por alguns dos participantes, na presença de Barack Obama.Artigo |8 Abril, 2012 – 18:43O presidente mexicano Felipe Calderon terá oportunidade para voltar a criticar Obama sobre o falhanço da “guerra às drogas”. Foto Governo mexicano/Flickr

A Cimeira das Américas realiza-se em Cartagena, num dos países mais fustigados pela “guerra às drogas” e cujo presidente já manifestou abertura para rever uma estratégia que não cumpre o objetivo. Em vésperas da cimeira, é o chefe de Estado da Guatemala que lança o desafio em entrevista ao jornal inglês “Observer”: “O paradigma proibicionista que inspira a política global vigente sobre drogas é baseado numa falsa premissa: a de que os mercados de drogas a nível global podem ser erradicados”, aponta Otto Pérez Molina.

“O consumo, produção e comércio de drogas devem ser sujeitas a regulação internacional, o que significa que o consumo e a produção devem ser legalizados, dentro de certas condições e limites”, prossegue o presidente guatemalteco.

A preocupação estende-se a outros responsáveis políticos latinoamericanos que fazem contas aos entraves que o poder do narcotráfico coloca ao desenvolvimento dos seus países. Também Felipe Calderón, presidente mexicano, já apelou a um debate nacional sobre esse assunto e o seu homólogo colombiano admitiu um cenário de legalização, caso os países chegassem à conclusão que isso iria travar o poder dos cartéis que floresceram nas últimas décadas à sombra da proibição.

No entanto, é pouco provável que os líderes dos países onde se concentra a produção encontrem eco do lado de Washington, onde está o mercado consumidor. O presidente mexicano ilustrou bem o problema com que o seu país está confrontado, por entre dezenas de milhares de mortos numa narcoguerra sem fim à vista: “Nós vivemos no mesmo prédio. O nosso vizinho é o maior consumidor de drogas do mundo e toda a gente quer vendê-las através das nossas portas e janelas”.

Com o aproximar das eleições presidenciais, Obama não irá concerteza repetir as declarações feitas em 2004, quando defendeu a descriminalização da canábis e o repensar da política global para as drogas, que é aplicada no mundo sob a batuta dos EUA. Mas a guerra às drogas também se trava no interior do seu país, onde a população prisional disparou em poucas décadas e uma parte importante devido a condenações por consumo de droga. O resultado foi a criminalização de milhões de pessoas, sem que as drogas deixassem de estar cada vez mais disponíveis para quem as procure.

Artigos relacionados: Legalização da canábis Comissão Global declara falhanço da “guerra às drogas”