Guerra ao terrorismo traz previsões sombrias para América Latina

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Publicado quinta-feira, 20 de setembro de 2001 as 10:38, por: cdb

Os fluxos de capital para a América Latina devem diminuir e o crescimento econômico na região deverá sofrer uma redução, depois dos ataques aos Estados Unidos na semana passada.

Os recentes acontecimentos evidenciaram as perspectivas de uma recessão americana e levaram os investidores na América Latina a olhar com cautela para os mercados da região. Depois dos ataques, segundo observam os analistas, os mercados internacionais de capital se fecharam completaram para os empréstimos aos mercados emergentes.

BRASIL

O Brasil, que tem a maior economia latino-americana, já levantou todo o capital necessário para este ano, mas caso persistirem as incertezas advindas da chamada “guerra ao terrorismo”, anunciada pelo presidente americano, George W. Bush, o financiamento a longo prazo da economia brasileira ficará em risco.

“Quanto mais durarem as incertezas será pior para o Brasil, não apenas porque os investimentos externos diretos vão ser reduzidos e pelo impacto negativo causado pelo fato de o país ser um importador de petróleo”, afirmou Túlio Vera, estrategista de mercados emergentes da Merril Lynch. “Além disso, as incertezas poderiam complicar a próxima eleição presidencial, prevista para 2002”, completou.

Além desses fatores, os ataques aos EUA também pressionaram o real, que já desvalorizou 28 por cento este ano e cujas baixas de cotação estão batendo recordes. O perfil da dívida pública brasileira é vulnerável às taxas de juros e às flutuações da moeda. “E um cenário com um câmbio fraco e um fluxo menor de investimentos diretos traz menos crescimento”, afirmou Camila de Faria Lima, economista do divisão de investimentos do Banco Santander, em São Paulo.

Desde o final do ano passado até o último dia 10 de setembro, o valor da dívida brasileira caiu 2 por cento. Desde os ataques, o valor dos títulos brasileiros caiu 4 por cento. Se a situação piorar, o país pode recorrer ao empréstimo de 15 bilhões de dólares, fechado recentemente com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, o governo ainda não decidiu se vai recorrer a esses recursos para aliviar o impacto econômico dos acontecimentos da semana passada.

ARGENTINA

Desde a semana passada, investidores e os credores colocaram os enormes problemas econômicos argentinos em segundo plano. De acordo com os analistas, o FMI vai precisar desviar a atenção para outras regiões. As negociações sobre reestruturação da dívida argentina vão ter menos prioridade e as perspectivas para uma nova ajuda do FMI parecem sombrias.

“A possibilidade de uma reestruturação da dívida argentina deve depender de uma mudança nas prioridades dos EUA”, afirmou o BNP Paribas numa nota distribuída a seus clientes. “A maior pressão sobre a Argentina deve novamente vir dos seus mercados locais, sobretudo se os investidores locais transferirem o capital que está no país para lugares mais seguros no exterior”, completou a nota.

Desde o final do ano passado até o último dia 10 de setembro, o valor dos títulos argentinos caiu 21 por cento. A partir desta data até esta quarta-feira, os títulos tiveram uma queda de 3 por cento.

Segundo os analistas, uma queda nos depósitos bancários e nas reservas de dinheiro e ouro poderia levar a taxas de juros ainda maiores e, possivelmente, ameaçar o regime de convertibilidade que vincula o peso ao dólar americano numa paridade de um para um.

CHILE

O Chile também é vulnerável a uma redução da economia americana e seus efeitos negativos sobre o comércio internacional.

As autoridades temem que um possível conflito poderia desviar a atenção dos Estados Unidos das negociações sobre o planejado acordo de livre comércio entre os dois países, considerado por Washington como um modelo para um eventual acordo comercial que envolva todo o hemisfério.

COLOMBIA

A Colômbia –assim como o México– depende do grande mercado importador americano: metade das exportações colombi