Guerra ao terrorismo aumenta uso da internet

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Publicado terça-feira, 11 de dezembro de 2001 as 00:20, por: cdb

A guerra ao terrorismo teve um impacto positivo na nova economia e impulsionou os negócios via internet. A avaliação é do presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net), economista Jack London, que participou do seminário “Combate ao terror: ameaça aos negócios?”, promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo. O setor foi beneficiado, segundo ele, pelo medo provocado após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. “A crise internacional abalou as perspectivas das empresas de fazerem negócios com contato pessoal e provocou o crescimento do uso da internet”, argumentou.

Na avaliação de London, os ataques ao Afeganistão mostraram “uma vitória brutal da tecnologia”. “Estamos vivendo um dos momentos mais importantes da história da tecnologia de informação, tendo presenciado pela primeira vez uma guerra virtual”, disse o economista.

Ele lembrou que atualmente no Brasil em torno de 15% das exportações são realizadas via internet e que em outros países, como os Estados Unidos, o percentual praticamente dobra. “No Brasil, houve um aumento significativo do uso da internet para transações bancárias, exportações, vendas de automóveis e mesmo pelo governo”, afirmou. O que não significa um novo fôlego para as empresas pontocom. “Este segmento acabou”, acredita.

Para o chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, no entanto, mais do que nunca a internet se transformou em eficiente arma de criminosos, que se aproveitam da facilidade em manter o anonimato para praticar estelionato, pedofilia e propagar o terrorismo no mundo. “O grande desafio hoje é assegurar certo nível de controle da rede sem ferir os direitos humanos”, disse.

Costa afirmou que, nesse aspecto, nenhum país democrático se encontra em posição de vantagem. “Trata-se de uma área criminalística nova, onde a polícia está sempre muitos passos atrás dos criminosos”, enfatizou. “Nenhuma empresa hoje tem o nível de segurança necessário. A vulnerabilidade é geral”, ressaltou o vice-presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da Federação do Comércio (Fecomércio), Ricardo Theil.

De acordo com o chefe do escritório brasileiro do FBI, em 65% dos sites invadidos, as empresas não tomam conhecimento do fato. “Talvez seja preciso que a sociedade abra mão de algumas coisas para que as autoridades possam exercer melhor a função de monitorar a internet”, disse. “Isso significará ter mais segurança em troca de um pouco menos de privacidade”.