Guatemala deve ter eleições com violência

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Publicado sexta-feira, 7 de novembro de 2003 as 19:20, por: cdb

As eleições presidenciais e parlamentares deste fim de semana na Guatemala podem se converter nas mais violentas da história política do país de cinco milhões de habitantes. Acadêmicos e analistas concordam que em todos os processos eleitorais há registro de violência, mas agora há temor de que ocorra um recrudescimento e um boicote à votação por parte de grupos organizados interessados em afetar a democracia.

Um documento da Missão de Observação Eleitoral da Organização de Estados Americanos (OEA) assinala que, desde o início do processo eleitoral em maio passado, cerca de 30 ativistas de diferentes partidos políticos haviam sido assassinados e um grande número tem sido ameaçado.

A expectativa de que ocorra atos violentos aumentou com a advertência dos ex-patrulheiros civis que ameaçaram boicotar as eleições em vários pontos do país se o governo não pagar indenização a eles por ter colaborado com o exército em conflito armado no passado. O ativista de direitos humanos e observador do processo eleitoral Frank La Rue disse à BBC que as antigas Patrulhas de Autodefesa Civil estão prestes a cumprir suas ameaças e afetar as votações.

Observadores

Vários observadores internacionais já estão na Guatemala e outros continuam chegando ao país. Na semana passada, uma delegação do Centro Carter para a Democracia se reuniu com outros observadores, entre eles os da OEA.

“Todos concordaram que estas eleições podem ser violentas”, disse John Tyynela, chefe da delegação Centro Carter, que advertiu que o governo tem a obrigação de garantir segurança aos eleitores para que o processo seja “claro e transparente”. A delegação de Tyynela chegou à Guatemala na semana passada e desde então vem viajando por diversas cidades para entrevistar indígenas e agricultores, os quais afirmaram que se sentem ameaçados.

O processo eleitoral pelo qual o país passa e que termina com a votação deste domingo, dia 9 de novembro, é o que mais tem atraído a atenção de observadores locais e internacionais, devido aos temores de fraude e atos de violência que têm sido registrados.

Advertência

O Instituto de Fiscalização Geral da Guatemala advertiu que não permitirá que ocorram atos de violência nem que as eleições gerais de domingo sejam boicotadas. Para isso, foi preparado um plano de prevenção.

“Não vamos permitir que ocorra violência, as pessoas flagradas cometendo delitos serão detidas imediatamente e processadas”, disse o diretor do Ministério Público, Carlos de León. Ele afirmou que, no próximo domingo, os três mil funcionários do Ministério Público serão espalhados por todos os locais de votação para garantir que os eleitores não sejam coagidos e que as eleições ocorram com transparência.

Candidatos

O advogado Oscar Berger, da Grande Aliança Nacional, que agrupa partidos de direita, conta com o apoio do meio empresarial e é o favorito nas pesquisas de intenção de votos. Álvaro Colom, que já concorreu em eleições anteriores como candidato da ex-guerrilha, é da Unidade Nacional da Esperança, partido de centro-esquerda criado recentemente.

Mas o candidato mais polêmico é o ex-ditador Efraín Ríos Montt, da Frente Republicana da Guatemala, que protagonizou um golpe militar entre 1982 e 1983 e é acusado por organizações de direitos humanos de ter cometido atrocidades durante seu governo.