Grupo de militares venezuelanos se declara em ‘rebeldia legítima’

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Publicado terça-feira, 22 de outubro de 2002 as 23:50, por: cdb

Um grupo de 14 militares venezuelanos difundiu uma mensagem pela televisão, nesta terça-feira, no qual se declarou em “desobediência legítima” ao Governo do presidente Hugo Chávez, que definiu como “regime autocrático”.

No entanto, em declarações à CNN em Espanhol, o vice-presidente José Vicente Rangel minimizou o pronunciamento dos militares e afirmou que a normalidade “reina no país”.

O general do Exército, Enrique Medina Gómez, leu um comunicado do grupo de militares dissidentes, pedindo a seus “companheiros de armas” que os apóiem nessa iniciativa e instando a população a tomar as ruas para protestar contra o governo, “tal como previsto na Constituição”.

“Para dar pleno apoio à vontade popular, convocamos a sociedade em geral para se declarar em desobediência civil”, disse Gómez, que já é investigado pelo falido golpe de Estado de abril passado.

Rangel, por sua vez, disse em entrevista à CNN em Espanhol, que a reação do Governo era de “absoluta tranqüilidade”.

“Esse pronunciamento não significa praticamente nada”, declarou Rangel. “São os mesmos golpistas de abril e não têm influência alguma”.

Em 11 de abril passado, um grupo de militares chegou a afastar Chávez do cargo por quase 48 horas, mas o presidente voltou ao poder.

O anúncio dos militares rebeldes acontece um dia depois de uma greve geral de 12 horas que a oposição organizou para pressionar Chávez a convocar eleições gerais e renunciar, terminando com a difícil situação que vive o país desde a tentativa de golpe.

Até abril passado, Gómez era agregado militar da representação da Venezuela em Washington.

Segundo Gómez, esses militares não estão “dispostos a se converter em cúmplices das violações dos direitos humanos, da liberdade, da democracia e do estado de direito na Venezuela sob pena de afiançar essa ditadura”.

Os militares venezuelanos pediram ao alto comando que “cumpra com uma responsabilidade histórica, respeitem a vontade do povo e não exerça ações que levam a um derramamento de sangue entre membros das Forças Armadas”.

Após o pronunciamento, o grupo de militares foi à praça Altamira, onde foram recebidos por centenas de manifestantes opositores.